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Disputa entre EUA e Paquistão ofusca cúpula da Otan sobre Afeganistão

Atualizado em  21 de maio, 2012 - 13:39 (Brasília) 16:39 GMT
Zardari (esq.) e Hillary Clinton | Foto: Reuters

Reunião entre presidente do Paquistão (esq.) e Hillary Clinton não solucionou impasse bilateral

As disputas entre os Estados Unidos e o Paquistão sobre as rotas de suprimento para as tropas americanas no Afeganistão ameaçam tomar conta da reunião de cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Chicago, cujo objetivo principal é planejar a retirada das forças ocidentais do país na Ásia Central.

Washington e Islamabad não conseguiram chegar a um acordo sobre as condições exigidas pelos paquistaneses. Há quase meses, o Paquistão passou a fechar as estradas do país aos americanos, após ataques aéreos dos EUA matarem militares no país.

Esta é apenas uma das muitas questões logísticas que devem dificultar a forma como a aliança militar do Ocidente retirará seus soldados e equipamentos do Afeganistão.

Em Chicago, mais de 50 nações começaram a discutir, nesta segunda-feira, como encerrar os mais de dez anos de guerra.

Logo na abertura da reunião, o presidente americano, Barack Obama, indicou um papel dos EUA na transição. "Quando os afegãos tomarem o controle, não os deixaremos sozinhos", disse.

Já o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, confirmou os planos de passar o controle das missões de combate para as forças afegãs até a metade de 2013 e que as tropas ocidentais terminarão seu papel de combate no país até o fim de 2014.

Além dos representantes dos 28 países que integram a Otan, a reunião conta com os presidentes do Afeganistão, Hamid Karzai, e do Paquistão, Asif Ali Zardari.

O líder paquistanês encontrou-se com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, no domingo, mas a reunião não produziu resultados sobre a reabertura das rotas de suprimento.

Exigências

Entre as exigências paquistanesas para reabrir as rotas estão um pedido público de desculpas, uma revisão da política de ataques aéreos com aviões não tripulados (drones) e um aumento considerável da taxa de US$ 250 paga por cada veículo militar que cruza a fronteira.

O secretário da Defesa americano, Leon Panetta, disse antes da cúpula que era "improvável" que os EUA pagariam uma taxa maior pelo trânsito.

Obama fez menção à ajuda internacional milionária que os EUA pagam anualmente ao Paquistão em barganha pelo apoio do país na região e descartou um encontro bilateral com Zardari.

Em sua declaração na abertura da cúpula, a Otan limitou-se a dizer que "continua a trabalhar com o Paquistão para reabrir as linhas de comunicação o quanto antes".

"Os países da região, particularmente o Paquistão, têm papéis importantes para garantir uma paz duradoura, estabilidade e segurança no Afeganistão e em facilitar a totalidade do processo de transição", acrescenta o texto.

Custos

Outra questão que deve impactar o processo de retirada e transição são os custos.

Alguns países, incluindo EUA, Austrália, Grã-Bretanha e Alemanha, manifestaram o interesse de contribuir para um fundo internacional para ajudar as forças afegãs após a saída da Otan.

A expectativa é que Washington pague pela metade dos US$ 4 bilhões anuais estimados para custear a passagem do controle militar.

A França já anunciou que retirará todas as tropas do Afeganistão até o fim deste ano, e o novo presidente, François Hollande, deixou claro que a decisão "não é negociável porque é uma questão de soberania francesa".

Mais de dez anos após os EUA terem derrubado o regime do Talebã, a violência continua a aumentar no Afeganistão e de acordo com a ONU, o número de mortes atingiu o recorde de 3.031 em 2011.

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