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Momentos olímpicos: para Jacqueline do vôlei de praia, vitória em Atlanta marcou volta por cima

Atualizado em  22 de maio, 2012 - 05:26 (Brasília) 08:26 GMT
As duplas finalistas de Atlanta Foto Acervo COB

Jacqueline (2ª da direita): 'Não tinha ideia que faria história'

O dia 27 de julho de 1996 ficará marcado para sempre na memória dos fãs do vôlei de praia, dos brasileiros e, especialmente, de Jacqueline Louise Cruz Silva.

Foi nessa data que 'Jackie', como ficou conhecida, reinou nas areias da praia artificial montada na cidade de Clayton, a 35 quilômetros de Atlanta, nos Estados Unidos, junto com sua então companheira de vôlei de praia, Sandra Pires.

Juntas, elas venceram a dupla compatriota Mônica Rodrigues e Adriana Samuel por dois sets a zero e conquistaram o primeiro ouro olímpico feminino para o Brasil na história dos Jogos.

A vitória também foi inédita no vôlei de praia, que havia sido incluído como modalidade olímpica em 1994.

Para 'Jackie', na época com 34 anos, entretanto, a conquista do ouro não foi apenas simbolicamente histórica; a vitória representou sua volta por cima, após quase dez anos fora das quadras do voleibol tradicional.

'Não tinha ideia de que faria história nas Olimpíadas. Quando troquei o vôlei de quadra pelo de praia, a modalidade ainda não tinha se tornado olímpica', disse Jacqueline à BBC Brasil.

'Não estava, portanto, focada em nada olímpico', acrescentou.

Volta por cima

Após ter participado de duas Olimpíadas como levantadora da seleção feminina de vôlei de quadra, em Moscou (1980) e Los Angeles (1984), e ter sido suspensa da equipe por se recusar a vestir o uniforme do patrocinador sem receber nada por isso, Jacqueline decidiu que já era hora de dar novo rumo à sua carreira.

A atleta deixou o vôlei de quadra no final de 1987, depois de uma temporada na Itália, quando defendeu a equipe CIV CIV, em Módena, onde foi eleita a melhor jogadora estrangeira da temporada.

De lá, optou por se mudar aos Estados Unidos, onde ajudou a fundar as primeiras associações do vôlei de praia. Não demorou muito para que também se tornasse uma campeã. Em 1988, ela venceu 12 dos 16 torneios de que participou na modalidade.

Em 1994, incentivada por seu então treinador, Jacqueline decidiu encarar um novo desafio: voltar às Olimpíadas como jogadora de vôlei de praia profissional. Para concretizá-lo, lançou-se a encontrar uma parceira à altura.

'Apesar de muito jovem, vi na Sandra uma atleta incrível, com potencial sem igual e excelente preparação', disse.

Inicialmente separadas geograficamente, elas decidiram treinar juntas nos Estados Unidos. O treino, realizado duas vezes por dia, durava entre 1h e 1h30min.

O esforço culminou com o ouro olímpico no vôlei de praia, que pavimentou o caminho para a conquista de outras sete medalhas na modalidade pelo Brasil.

Hoje, aos 50 anos, já aposentada, Jacqueline dedica-se a projetos pessoais e à divisão de base do vôlei de praia feminino, da qual é preparadora.

Sobre a participação do Brasil na Olimpíada deste ano, em Londres, Jackie, entretanto, em nada lembra o comportamento impulsivo que lhe marcou em quadra.

'O Brasil sempre é favorito, mas tem de prestar atenção a adversários como Estados Unidos, Alemanha, e, sobretudo, China, que despontou no vôlei de praia nos últimos anos', afirmou.

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