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Atentado suicida deixa ao menos 90 mortos em desfile militar no Iêmen

Atualizado em  21 de maio, 2012 - 11:23 (Brasília) 14:23 GMT
Atentado no Iêmen | Foto: BBC

Ataque contra soldados que participavam de ensaio para desfile militar deixou ao menos 63 mortos

Um atentado suicida contra um grupo que ensaiava para um desfile militar matou pelo menos 90 soldados na capital do Iêmen, Sanaa, nesta segunda-feira, informam fontes do Exército iemenita.

O ataque deixou pelo menos 200 militares feridos.

O responsável pelo ataque, que supostamente vestia uniforme militar e carregava um cinto de explosivos escondido, detonou as bombas entre soldados na praça Al-Sabin próxima ao palácio presidencial.

Uma fonte da Al-Qaeda disse à BBC que um de seus membros estava por trás da ofensiva que é o atentado mais mortal ocorrido no país desde que Abdrabbuh Mansour Hadi assumiu o poder como novo presidente, em fevereiro deste ano.

O ataque ocorreu pouco antes de um dos chefes do Exército iemenita e o ministro da Defesa, Nasser Ahmed, se aproximarem das tropas. Os dois escaparam ilesos.

A maior parte dos mortos pertencia à Organização Central de Segurança, uma força paramilitar comandada por Yahya Saleh, sobrinho do ex-presidente Ali Abdullah Saleh.

Após uma série de intensas manifestações, confrontos e até um ataque ao palácio presidencial ocorridos em meio à onda de protestos da Primavera Árabe, Saleh deixou o poder ao assinar um acordo de transição mediado pelas monarquias do Golfo Pérsico.

Hadi assumiu a Presidência e desde então vem tentando desvincular figuras do alto escalão do governo e das Forças Armadas que eram ligados a Saleh.

Retaliação

O ataque desta segunda-feira chega dez dias após o Exército ter lançado uma ofensiva contra militantes islâmicos ligados à Al-Qaeda na Península Árabe (AQPA, na sigla em inglês).

Já no domingo, numa primeira aparente retaliação à operação, um instrutor da Guarda Costeira dos Estados Unidos foi baleado e ficou ferido por atiradores não identificados.

O grupo Ansar al-Sharia disse estar por trás do ataque. A facção, que também é conhecida como Partidários da Lei Islâmica, tem ligações com a Al-Qaeda.

No fim de semana, ao menos 33 militantes e 19 soldados morreram em combates na região de Abyan, dominada pelo grupo.

'Guerra contra a Al-Qaeda'

Logo após tomar o poder, em fevereiro, Hadi disse que uma de suas missões mais importantes seria a "continuidade da guerra contra a Al-Qaeda como uma obrigação religiosa e nacional".

Para o especialista da BBC em segurança, Frank Gardner, o atentado é uma clara mensagem ao novo presidente, muito provavelmente por parte da Al-Qaeda, de que não haverá trégua no combate entre o Exército e os militantes.

Somado ao ataque contra o instrutor americano, no domingo, o atentado deve aumentar as preocupações de Washington e das potências ocidentais com os riscos na região.

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