Réptil marinho pré-histórico sofria de artrite, dizem cientistas

Atualizado em  17 de maio, 2012 - 15:47 (Brasília) 18:47 GMT
Mandíbula do pliossauro, mostrada por Judyth Sassoon, da Universidade de Bristol (Foto: Simon Powell)

Mandíbula do pliossauro, mostrada por Judyth Sassoon (Foto: Simon Powell)

Mandíbula do pliossauro, mostrada por Judyth Sassoon (Foto: Simon Powell)

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Cientistas da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, descobriram sinais de que animais marinhos pré-históricos já sofriam com doenças degenerativas nas articulações há 150 milhões de anos.

Os pesquisadores encontraram sinais de uma doença parecida com a artrite humana em um fóssil, uma mandíbula de um pliossauro, um réptil marinho que tinha cerca de oito metros de comprimento. Apenas a mandíbula do pliossauro media dois metros e os dentes chegavam a 20 centímetros.

A cabeça dos pliossauros era parecida com a de um crocodilo, o pescoço era curto e o corpo era parecido com o de uma baleia - com quatro nadadeiras que davam o impulso para que o pliossauro perseguisse suas presas na água.

Desta forma, o animal era capaz de caçar a maioria dos outros répteis marinhos ou dinossauros.

Esta foi a primeira vez que uma doença como esta foi descrita em um fóssil de um réptil do período Jurássico.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Palaeontology.

Mandíbula deslocada

Os ossos do pliossauro foram encontrados em Westbury, no sudoeste da Inglaterra e fazem parte do acervo do Museu de Bristol.

Judyth Sassoon, pesquisadora da Universidade de Bristol, estudou os fósseis e encontrou os sinais da doença degenerativa que causou um deslocamento anormal no maxilar inferior do réptil.

Sassoon acredita que a mandíbula pertenceu a um pliossauro fêmea de idade avançada, que desenvolveu a doença como parte do processo natural de envelhecimento. A forma do crânio, mais achatada, é o que deu a pista do sexo do réptil pré-histórico.

O pliossauro estudado deve ter vivido com este deslocamento na mandíbula durante muitos anos, pois a cientista encontrou no maxilar inferior as marcas deixadas pelos dentes do maxilar superior, feitas quando o pliossauro mordia.

"Da mesma forma que os humanos de idade avançada podem ter artrite em seus quadris, este pliossauro fêmea, já idoso, sofria de artrite em sua mandíbula e sobreviveu com este problema", disse a pesquisadora.

Fratura

Judyth Sassoon também encontrou sinais de uma fratura na mandíbula, que nunca chegou a se curar. Isso indicaria que estes ossos ficaram debilitados antes de sofrer a fratura.

Com uma mandíbula fraturada, "o pliossauro não conseguia se alimentar e esta lesão provavelmente causou a morte", afirmou a cientista.

"Você pode ver estes tipos de deformidades em animais vivos, como crocodilos ou baleias, e estes animais podem sobreviver durante anos, enquanto conseguirem se alimentar", disse Mike Benton, professor que colaborou no projeto.

"Mas deve ser doloroso. Lembre que uma baleia da ficção, a Moby Dick, do livro de Herman Melville, teria uma mandíbula deformada", acrescentou.

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