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Com estreia na Bolsa, Facebook gera furor e dúvidas no mercado

Atualizado em  18 de maio, 2012 - 09:03 (Brasília) 12:03 GMT
Logo/Facebook | Foto: Reuters

Oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) do Facebook atingiu a marca de US$ 16 bilhões.

Ao estrear nos mercados nesta sexta-feira, o Facebook, o maior site de rede social do mundo, com mais de 900 milhões de usuários, provocou reações antagônicas no mercado: se por um lado, investidores correram para reservar grandes lotes de ações da companhia, por outro, crescem as dúvidas sobre a rentabilidade de seu modelo de negócio.

Sob forte procura, os 421,2 milhões de papéis oferecidos pelo Facebook em sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) foram precificados na última quinta-feira a US$ 38 (R$ 75,7) cada um, o que permitiu à empresa sediada no Vale do Silício levantar US$ 16 bilhões em sua abertura de capital.

Segundo especialistas, trata-se do maior IPO de uma empresa de tecnologia, e um dos principais na história dos Estados Unidos.

Ao atingir a marca de US$ 38 por ação, o valor de mercado da companhia foi estimado em US$ 104,2 bilhões, rivalizando com gigantes do setor, como a Amazon, de comércio eletrônico.

Na última quarta-feira, o Facebook elevou seu IPO em 25% para um total de 421,2 milhões de ações.

A decisão, comunicada à Securities and Exchange Comission (SEC), órgão regulador do mercado mobiliário americano, ocorreu em meio à forte demanda dos investidores e um dia depois de a rede social já ter elevado a faixa de preço por ação - passando de US$ 28 a US$ 35 para US$ 34 a US$ 38.

Controle

Apesar da abertura de capital, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e outros sócios não devem ter seu poder decisório diluído.

A oferta de 421 milhões de ações equivale a pouco mais de 12% da empresa. Com a concretização do IPO, Zuckerberg controlará aproximadamente 56% da companhia. Ao todo, ele e seus sócios concentrarão 96% do poder de voto da rede social.

Ainda assim, a estreia na bolsa do Facebook, fundado há oito anos por Zuckerberg em um dormitório da Universidade de Harvard, causou entre os investidores um furor semelhante ao verificado nos IPOs recentes de outras empresas do setor de tecnologia, como o Linkedin (compartilhamento de currículos), Zynga (jogos) e Groupon (compras coletivas).

"Para IPOs como esse, deve haver um aumento imediato no preço das ações no primeiro dia tão logo a companhia se lance no pregão. Depois, o valor deve cair um pouco, sendo reajustado pelo mercado no curso dos próximos meses", afirmou à BBC o analista Patrick Moorhead, presidente da consultoria Moor Insights and Strategy.

Controvérsia

Mark Zuckerberg | Foto: AP

Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, não deve ter seu poder decisório diluído com IPO.

A preocupação de investidores mais conservadores, entretanto, cresce no mesmo ritmo da agitação dos mercados.

Ainda pairam dúvidas sobre a rentabilidade do modelo de negócios do Facebook, principalmente no tocante à geração de receitas via dispositivos móveis.

A companhia gera anualmente apenas US$ 5 por usuário e já identificou os dispositivos móveis, celulares e tablets, como essenciais para o crescimento do faturamento.

O próprio Zuckerberg admitiu, em apresentação a cerca de 200 investidores nesta semana, na sede da companhia, em Palo Alto, que a prioridade da empresa são os investimentos em aplicativos para dispositivos móveis.

Muitos analistas acreditam que o futuro dos negócios do Facebook depende dos investimentos no segmento.

"Os dispositivos móveis são o maior desafio atual do Facebook. Trata-se de um segmento no qual a companhia ainda engatinha", disse Moorhead.

Segundo especialistas, o primeiro passo em direção ao crescimento das operações via dispositivos móveis foi dado pela empresa com a compra do aplicativo de fotos Instagram, por US$ 1 bilhão, em abril deste ano.

Nos últimos dias, o Facebook também testou um aplicativo pelo qual os usuários pagam uma pequena quantia para que seus comentários permaneçam em destaque.

Exemplo do Google

Além disso, o faturamento total da rede social ainda é considerado desproporcional em relação à base total de usuários, atualmente em 901 milhões.

No primeiro trimestre de 2012, o Facebook registrou receita de US$ 1,05 bilhão, alta de 44% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Na comparação com os últimos três meses de 2011, no entanto, houve queda de 6,5%. No período, o lucro da rede social foi de US$ 205 milhões.

Apesar de tudo, a rede social tem razões para confiar no bom desempenho de seus negócios.

"Tudo pode ser resumido numa única palavra: Google. Havia muito ceticismo sobre o buscador antes de seu IPO, em 2004, quando a companhia levantou menos de US$ 2 bilhões, com ações cotadas a US$ 85", disse o correspondente de tecnologia da BBC, Rory Cellan-Jones.

"Mas três anos depois, os mesmos papéis já valiam US$ 600. Além disso, o modelo de negócios do Facebook é muito mais maduro do que o do Google naquela ocasião, com o dobro do faturamento antes de seu respectivo IPO", acrescentou Cellan-Jones.

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