Incidentes marcam início de julgamento de suspeitos do 11 de setembro

Atualizado em  5 de maio, 2012 - 21:40 (Brasília) 00:40 GMT

Khalid Sheik Mohammed pemaneceu em silêncio no tribunal

A primeira aparição de cinco suspeitos de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001 perante um tribunal militar na base americana na Baía de Guantánamo foi marcada por incidentes neste sábado.

Khalid Sheikh Mohammed e outros quatro acusados de planejar os ataques de 2001 se recusaram a responder às perguntas durante a audiência de sete horas.

Um dos acusados exaltou-se, sugerindo que os americanos poderiam matá-lo antes do final do julgamento.

Os cinco se recusaram a comentar especificamente as acusações de assassinato e terrorismo.

As acusações, referentes aos ataques em que 2.976 pessoas morreram, podem levar à pena de morte.

Em nova audiência, será solicitado que eles se declarem culpados ou inocentes.

Os homens estão sendo julgados por um tribunal militar após uma tentativa de transferi-los para um tribunal dos EUA civil em 2009 não ter ocorrido por causa de clamor público e da oposição no Congresso.

Regras recentemente introduzidas incluem a proibição de provas obtidas sob tortura.

Mas os advogados de defesa ainda dizem que o sistema de julgamento de Guantánamo carece de legitimidade por causa do acesso restrito aos seus clientes.

Os réus são acusados de planejar e executar os atentados de 11 de setembro de 2001, quando quatro aviões comerciais foram sequestrados e acabaram derrubados em Nova York, Washington e Shanksville, na Pensilvânia.

Um pequeno número de parentes das vítimas assistiu à audiência no complexo militar.

"Tão difícil '

O auto-proclamado "mentor" dos atentados de 11 de setembro Khalid Sheikh Mohammed está sendo julgado com Waleed bin Attash, Ramzi Binalshibh, Ali Abd al-Aziz Ali e Mustafa Ahmad al-Hawsawi.

A audiência de acusação - na qual são lidas para os réus as denúncias - chegou a ser suspensa quando Waleed bin Attash teve que ser contido em sua cadeira no tribunal. As amarras foram mais tarde retiradas, após o advogado de defesa dar garantias de que ele iria "se comportar".

Khalid Mohammed foi submetido a afogamento simulado 183 vezes, segundo a CIA

Outro réu, Ramzi Binalshibh, se ajoelhou e rezou durante alguns minutos.

Mohammed, usando um turbante branco se recusou a responder às perguntas do juiz. Seu advogado disse que ele estava se recusando a ouvir o juiz em protesto contra a suposta tortura em custódia e porque ele acreditava que o tribunal é injusto.

A audiência foi novamente suspensa quando todos os acusados se recusaram a usar os fones de ouvido que oferecem tradução para o árabe.

O procedimento foi mais tarde retomado com um tradutor árabe presente no tribunal, para garantir que os acusados seguiriam o processo.

Ramzi Binalshibh tentou abordar o tribunal. Quando informado pelo juiz que poderia falar mais tarde, respondeu: "Talvez você não nos veja mais".

"Talvez me matem e digam que cometi suicídio."

O juiz, coronel James Pohl, lutou para manter os processos em curso.

"Por que é tão difícil?", exclamou em determinado momento.

A decisão de realizar um julgamento militar em vez de civil permanece polêmica e resulta de uma longa disputa legal sobre onde os cinco homens deveriam enfrentar a justiça.

Alegação de tortura

Khalid Sheikh Mohammed, que é de origem paquistanesa, mas nasceu no Kuwait, foi capturado no Paquistão em 2003 e transferido para a base de Guantánamo, em Cuba, em 2006.

Durante uma tentativa anterior de julgá-lo perante um tribunal militar em 2008, ele disse que pretendia declarar-se culpado e gostaria de receber a pena de morte.

Em 2009, a administração Obama, que prometeu fechar Guantánamo, tentou mover o julgamento para Nova York, mas reverteu sua decisão em 2011, após uma oposição generalizada.

Os cinco foram acusados em junho de 2011, por crimes semelhantes aos que já haviam sido acusados pela administração de George W. Bush.

Segundo o Pentágono, Khalid Sheikh Mohammed admitiu ser responsável "de A a Z" pelos ataques do 11/9.

Promotores americanos alegam que ele estava envolvido com uma série de outras atividades terroristas. A lista inclui o ataque a bombas a um clube noturno em 2002 em Bali, na Indonésia, o assassinato do jornalista americano Daniel Pearl e outra tentativa em 2001 de explodir um avião com uma bomba em um sapato.

Khalid Sheikh Mohammed alegou que foi repetidamente torturado durante sua detenção em Guantánamo.

Documentos da CIA confirmam que ele foi submetido a uma espécie de simulação de afogamento, conhecida como waterboarding, por 183 vezes.

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