Farc sequestram jornalista francês durante confronto na Colômbia

Atualizado em  29 de abril, 2012 - 17:24 (Brasília) 20:24 GMT
Roméo Langlois | Foto: AFP

Jornalista francês se identificou como civil e tentou se aproximar dos guerrilheiros durante confrontos

O jornalista francês Roméo Langlois, de 35 anos, foi sequestrado durante um confronto entre guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o Exército colombiano, confirmou neste domingo o ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé.

"Já conhecemos as circunstâncias: ele foi levado durante um confronto entre tropas colombianas e as Farc. O enfrentamento foi brutal, houve mortes, e o jornalista foi tomado com prisioneiro", disse o chanceler francês.

Mais cedo, o ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzon, disse que o repórter, que trabalha como correspondente da emissora France 24 e fazia um documentário, foi baleado no braço esquerdo durante os confrontos no sábado.

"Na pressão na zona de combate, ele tirou seu capacete e colete à prova de balas. Após se declarar um civil, ele tentou se aproximar da área de onde os rebeldes estavam disparando", acrescentou Pinzon.

Cinco militares que estavam desaparecidos desde ontem foram encontrados neste domingo, e outros três soldados e um policial morreram.

O jornalista francês acompanhava as tropas colombianas durante uma operação para tentar desmantelar um laboratório de refinamento de cocaína que servia como fonte de renda para a guerrilha.

"Sabemos que se trata de uma região perigosa. É claro que estamos preocupados, mas temos confiança no fato de que Roméo conhece bem a região e tem muita experiência. Por isso esperamos que ele esteja bem e em segurança", disse Nahida Nakad, chefe de redação da France 24.

Na sexta-feira oito pessoas morreram, incluindo um bebê, durante ataques das Farc na mesma região.

As Farc estão em guerra com o governo colombiano desde 1964. Acredita-se que há mais de 9 mil guerrilheiros espalhados por areas montanhosas e de mata fechada.

Recentemente a guerrilha sinalizou intenção de não sequestrar mais civis em nome de suas operações.

Mudanças

Desde 2002 as Farc têm visto uma redução em seu contingente conforme as operações do Exército da Colômbia avançaram, com apoio dos Estados Unidos, mas nos últimos três anos a guerrilha conseguiu retomar alguns pontos do país, alavancada pelos lucros com o tráfico de drogas.

A província de Caqueta, onde a operação ocorreu, é um dos pontos de avanço do grupo e um centro logístico para o narcotráfico.

Em fevereiro deste ano, as Farc declararam encerrada sua estratégia de sequestrar civis, e no início de abril o grupo libertou dez reféns que estavam presos por mais de dez anos.

O comandante do grupo, Rodrigo Londono, mais conhecido como Timochenko, se ofereceu para dar início a conversas de paz com o governo do presidente Juan Manuel Santos, que recusou a iniciativa.

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