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Hidrelétricas em afluentes do Amazonas podem ter impacto ecológico grave

Atualizado em  20 de abril, 2012 - 16:55 (Brasília) 19:55 GMT
Rio da bacia amazônica

Pesquisadores afirmam que represas poderão afetar toda a região amazônica

Um estudo realizado nos Estados Unidos sugere que um grande número de represas planejadas por governos do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru para serem instaladas nos afluentes do rio Amazonas podem ter um grande impacto ecológico em toda a região.

A pesquisa foi liderada por Matt Finer, do Centro para Legislação Ambiental Internacional, sediado em Washington, e avaliou o impacto conjunto de mais de 150 represas planejadas por estes governos.

O estudo, publicado na revista especializada PLoS One, afirma que 60% destas represas podem afetar o fluxo de água que corre da cordilheira dos Andes e é vital para alimentar o Amazonas.

"Os resultados do estudo são muito preocupantes, devido à ligação importante entre as montanhas andinas e as planícies amazônicas", disse Finer.

"Parece que não existem planos estratégicos para as conquências [que podem ocorrer] quando se perturba uma conexão ecológica que existe há milhões de anos", disse o pesquisador.

Grandes afluentes

Finer e a equipe de pesquisadores do Centro para Legislação Ambiental Internacional analisaram represas planejadas para seis grandes afluentes do Amazonas: Madeira, Caquetá, Marañon, Napo, Putumayo e Ucayali.

O pesquisador disse à BBC que até agora o fluxo livre nestes seis rios praticamente não foi afetado.

Mas,"com a construção de duas megarrepresas no rio Madeira, que já estão quase terminadas, o número de conexões não afetadas cairá para cinco. E com a variedade de represas planejadas para pelo menos quatro afluentes, poderia sobrar apenas uma ou duas vias que fluem livremente. Quais as implicações para o futuro? Ninguém sabe", afirmou.

O pesquisador disse à BBC que levou em conta no estudo todas as represas hidrelétricas planejadas com capacidade de mais de 2MW. "Contamos 151 projetos".

"Cerca de 40% já estão em uma etapa avançada de planejamento, ou seja, já existem processos contratuais. O número representa um grande aumento, já que atualmente existem 48 represas com capacidade de mais de 2MW na Amazônia andina."

"É importante destacar que 53% das represas novas seriam de 100 MW ou mais e isto é um aumento de mais de seis vezes no número de represas grandes. Atualmente, por exemplo, só existe uma grande represa de mais de 1.000 MW na Amazônia andina, mas há projetos para outras 17", afirmou Finer à BBC.

O pesquisador também disse que o rio Amazonas está "intimamente ligado às montanhas dos Andes por mais de 10 milhões de anos".

"Os Andes fornecem a grande maioria dos sedimentos, nutrientes e material orgânico para o Amazonas, alimentando um ecossistema que é um dos mais produtivos do planeta. Muitas das espécies de peixes importantes economicamente desovam apenas em rios alimentados pelos Andes."

O estudo destacou também que mais de 80% das represas planejadas na região contribuiriam para a devastação da floresta -uma conseqüência da construção de estradas ou das inundações geradas pelas represas.

Necessidades energéticas

Matt Finer disse à BBC que "a falta de políticas regionais" se deve principalmente a duas razões.

"Os projetos estão sendo avaliados de forma individual antes de ser construídos e, além disso, a trajetória dos rios que nascem nos Andes é complexa e passa por muitos países", afirmou.

Muitos governos afirmam que as represas são necessárias para atender às necessidades energéticas e de desenvolvimento econômico.

"Encontramos nos informes oficiais divulgados pelos governos do Equador, Peru e Bolívia, por exemplo, a afirmação de que a energia hidrelétrica é uma peça central de seus planos energéticos no longo prazo", disse Finer.

"A demanda doméstica projetada para os três países é de 7.000 MW adicionais, devido a um maior uso de energia e a esforços para substituir as centrais termelétricas."

"Nós responderíamos aos governos que, utilizando uma análise estratégica, eles poderiam identificar melhor e priorizar as represas de impacto baixo ou médio e eliminar a necessidade de construir represas de alto impacto", acrescentou Finer.

O estudo recomenda um planejamento estratégico que avalie o impacto de represas em escalas espaciais maiores, por exemplo, em toda a bacia de um rio.

A pesquisa também sugere criar um plano estratégico para garantir que o livre fluxo dos rios, desde os Andes até a Amazônia, seja mantido.

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