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Embaixada do Irã nega que diplomata tenha abusado de meninas

Atualizado em  19 de abril, 2012 - 20:30 (Brasília) 23:30 GMT
Bandeira do Irã. | Foto: Reuters

Embaixada iraniana diz que situação foi causada por "diferenças culturais"

A embaixada do Irã no Brasil divulgou uma nota refutando as acusações de que um diplomata da representação tenha abusado de quatro meninas em um clube de Brasília.

Segundo o comunicado, divulgado na noite da última quarta-feira, o caso não passou de um "mal entendido" gerado a partir "diferenças nos comportamentos culturais" entre os dois países.

A representação criticou ainda a cobertura da imprensa brasileira sobre o episódio.

Para a embaixada, o incidente revelou a maneira como "a mídia, geralmente tendenciosa, [se posiciona] sobre as coisas relativas a alguns países como o Irã", pelo qual se "demonstra nitidamente um comportamento intencional, propositado e imparcial".

O comunicado não cita o nome do diplomata, mas fontes ouvidas pela BBC Brasil confirmaram se tratar de Hekmatollah Ghorbani, de 51 anos.

Ghorbani, que é conselheiro da embaixada iraniana, o terceiro posto mais importante na hierarquia de uma representação diplomática, é suspeito de ter abusado de quatro meninas - de 9, 11, 14 e 15 anos - no último sábado no clube 'Vizinhança 1', em Brasília.

Como figura no registro de suas credenciais, entregues ao Ministério das Relações Exteriores quando iniciou suas atividades no Brasil, Ghorbani está no país desde fevereiro de 2010 e é casado.

"Segundo as garotas, ele teria aproveitado para tocar as partes íntimas delas enquanto nadava na piscina do clube", afirmou a BBC Brasil Johnson Monteiro, delegado responsável pelo caso.

Após o incidente, Ghorbani foi encaminhado pela Polícia Militar a uma delegacia em Brasília. Lá, foi identificado como integrante do corpo diplomático do Irã e, posteriormente, liberado.

Na delegacia, os policiais lavraram um boletim de ocorrência e um registro do depoimento das testemunhas. Os dois documentos foram submetidos ao Itamaraty para análise.

Por ter imunidade diplomática, estabelecida pela Convenção de Viena - da qual o Brasil e o Irã são signatários -, Ghorbani não pode ser preso ou processado por nenhum crime, nem mesmo multado por infrações. A única exceção é se o país de origem retirar a imunidade diplomática de seu funcionário.

O Itamaraty, que recebeu os documentos no fim da tarde da última quarta-feira, ainda não emitiu parecer sobre o caso nem deu previsão de quando o fará.

O Ministério das Relações Exteriores pode considerá-lo "persona non grata" no país e solicitar que deixe o Brasil.

Outra possibilidade é encaminhar o caso às autoridades iranianas, que poderiam julgá-lo segundo as leis do país.

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