ONU se prepara para o envio de observadores à Síria

Atualizado em  13 de abril, 2012 - 13:09 (Brasília) 16:09 GMT
Manifestantes protestam contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, depois das orações de sexta-feiram, em Homs (Reuters)

Manifestantes protestaram contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, após as orações de sexta-feira

O Conselho de Segurança da ONU discute nesta sexta-feira um projeto de resolução para o envio, já nos próximos dias, de observadores internacionais para monitorar o cumprimento do plano de paz na Síria.

A proposta, apresentada pelos Estados Unidos, deve ser votada no Conselho de Segurança da ONU ainda nesta sexta-feira e a equipe de monitores deve chegar na Síria no começo da próxima semana.

A equipe deve ter pelo menos dez observadores, que vão monitorar o cessar-fogo e checar se os militares sírios estão se retirando das áreas mais populosas, como determina o plano de paz.

Segundo Ahmed Fawzi, porta-voz do enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, os observadores estão "de prontidão para embarcar nos aviões e ir a campo o mais rápido possível".

Fawzi acrescentou que, depois deste primeiro grupo, uma missão maior, com 250 observadores, deve ser enviada à Síria.

O rascunho de resolução pede que o governo de Bashar al-Assad e os grupos oposicionistas obedeçam a todos os pontos do plano de paz de Annan, incluindo a retirada de soldados e um fim à "violência armada em todas as suas formas".

A proposta ameaça aplicar "mais medidas", ainda não especificadas, se o regime sírio "não implementar estes compromissos".

Diplomatas de países membros do Conselho de Segurança da ONU, incluindo da Rússia e China, que vetaram resoluções anteriores contra a Síria, também deram seu apoio ao envio de observadores.

Manifestações e mortes

O cessar-fogo entre as forças do governo sírio e os oposicionistas, que é a parte principal do plano de paz, está sendo mantido na maior parte do país.

No entanto, grandes protestos ocorreram em várias partes da Síria e ativistas informaram que várias pessoas foram mortas a tiros durante protestos nesta sexta-feira.

As forças de segurança teriam disparado para o alto a fim de dispersar a multidão que deixava as mesquitas após as orações de sexta-feira. Em alguns casos, os disparos mataram e feriram os manifestantes.

Ativistas informaram que na quinta-feira vários civis também foram mortos, mesmo depois de o cessar-fogo entrar em vigor às 6h (horário local). O governo sírio, por sua vez, disse que um ataque a bomba matou um soldado.

Retaliações

Os dois lados prometeram obedecer ao cessar-fogo, mas afirmam que têm o direito de reagir caso sejam atacados.

Kofi Annan afirmou que a Síria não obedeceu completamente o acordo e ainda precisa retirar soldados e armamentos pesados das cidades.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que o cessar-fogo é importante, mas é apenas o primeiro passo.

Segundo o correspondente da BBC na região, Jim Muir, ainda não há informações consolidadas sobre a trégua. As primeiras informações indicam, no entanto, que violações ao acordo foram menos graves do que se temia.

O porta-voz da ONU também disse que o cessa-fogo foi "relativamente respeitado", mas ressaltou que Kofi Annan está "ciente de que não temos uma situação perfeita" na Síria.

"Há prisioneiros que precisam ser libertados, corredores para ajuda humanitária que precisam ser abertos", afirmou.

De acordo com Fawzi, o governo da Síria já forneceu vistos de entrada para 74 organizações de imprensa.

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