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Livro diz que Mitterrand recorreu à eutanásia

Atualizado em  10 de abril, 2012 - 19:55 (Brasília) 22:55 GMT
Mitterrand/AP

Livro diz que ex-presidente francês 'teve seu calvário abreviado por um pedido explícito' de sua parte

Um livro publicado nesta terça-feira na França afirma que o ex-presidente François Mitterrand, morto em 1996, teria recorrido à eutanásia para pôr fim aos sofrimentos decorrentes de um câncer que durou mais de 14 anos.

No livro "O último tabu – Revelações sobre a saúde dos presidentes", os jornalistas Denis Demonpion e Laurent Léger afirmam que Mitterrand "teve seu calvário abreviado por um pedido explícito" de sua parte.

Segundo os autores, Mitterrand teria recebido uma injeção intravenosa.

"Uma pessoa, cujo nome não podemos citar, administrou a Mitterrand, a seu pedido, um produto letal ou suficientemente sedativo para causar sua morte", disse Léger em entrevista ao canal de TV France 2, acrescentando que "podemos falar de eutanásia" nesse caso.

Essa pessoa não identificada teria telefonado depois ao médico pessoal do ex-presidente, Claude Gubler, para avisá-lo sobre o falecimento, afirma o livro.

Em entrevista ao canal de TV France 2 nesta terça-feira, o antigo médico de Mitterrand não contestou as alegações do livro, mas preferiu não utilizar o termo eutanásia.

"Eu sabia que François Mitterrand havia chegado a um momento de sua vida onde o sofrimento era insuportável. A deterioração de seu corpo era insuportável", disse o médico.

"Mitterrand nunca aguentou essa situação e ele me repetiu várias vezes, nos 14 anos que passamos juntos, que ele não queria terminar sua vida como um vegetal", afirmou Gubler ao canal France 2.

Segredo

Mitterrand, que presidiu a França entre 1981 e 1995, teve um câncer próstata diagnosticado logo no início de seu mandato, mas sua doença foi mantida em segredo durante 11 anos e só foi revelada aos franceses em 1992.

Um dos filhos do ex-presidente socialista, Gilbert Mitterrand, afirma no livro que "somente uma pessoa sabe o que aconteceu, mas que ela não dirá nada".

"Ela só nos disse que tudo ocorreu de maneira pacífica", diz o livro, citando Gilbert Mitterrand.

O filho também afirma que o pai teria deixado de se alimentar no final de sua vida.

Mas a tese de que o ex-presidente teria sofrido eutanásia é contestada por várias pessoas com as quais ele tinha relações próximas.

"Isso é totalmente falso. Nós discutimos sobre a morte. Mitterrand se opunha completamente à eutanásia", diz a psicóloga Marie de Hennezel.

Outro médico que cuidou de Mitterrand no final de sua vida, Jean-Pierre Taro, não quis fazer declarações à imprensa francesa após o lançamento do livro.

Em uma entrevista dada em 2007, Taro afirmou que o ex-presidente era contrário à eutanásia.

Sarkozy

A legislação francesa proíbe a eutanásia, assunto que regularmente volta à atualidade no país devido a casos de pessoas que ajudaram doentes incuráveis a morrer e que sofrem processos na Justiça.

A lei Léonetti, aprovada em 2005 na França, garante apenas o direito de "deixar alguém morrer", permitindo que o doente seja induzido a um coma artificial e morra de fome e de sede.

O livro sobre a saúde dos presidentes, publicado nesta terça, revela ainda que o presidente Nicolas Sarkozy consumiria comprimidos cuja venda não é autorizada pelas autoridades de saúde da França.

Uma pessoa, cujo nome não foi revelado no livro e que seria próxima ao presidente Sarkozy, afirma que os medicamentos serviriam para "dar energia" ao presidente.

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