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Em meio a desaceleração industrial, Brasil e Índia buscam estimular comércio

Atualizado em  30 de março, 2012 - 06:02 (Brasília) 09:02 GMT
Dilma ao lado do premiê indiano, Manmohan Singh, em Nova Déli, nesta sexta (AFP)

Dilma (ao lado do premiê indiano) se encontrará com políticos e empresários locais

Após participar da Quarta Cúpula dos Brics, esta semana, em Nova Déli, a presidente Dilma Rousseff encerra a viagem à Índia com uma série de encontros com líderes políticos e empresários indianos, que tem entre os principais objetivos a ampliação e diversificação das relações comerciais entre os dois países.

Em 2011, o comércio bilateral entre Brasil e Índia chegou a US$ 9,2 bilhões, pouco abaixo da meta de US$ 10 bilhões, um desempenho considerado bom pelo governo devido aos efeitos da crise financeira internacional.

Uma nova meta deve agora ser definida em US$ 15 bilhões até 2015.

Os principais produtos exportados pelo Brasil para a Índia são minério de ferro, soja, açúcar e carne de frango. O Brasil tem comprado da Índia óleos derivados de petróleo, ceras minerais e produtos químicos orgânicos.

"O comércio (entre Brasil e Índia) merece grande estímulo. Menos de US$ 10 bilhões é (um volume) muito pequeno, principalmente se considerarmos as dimensões e o dinamismo das economias dos dois países", disse a subsecretária-geral de Política do Ministério de Relações Exteriores, embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis.

Enquanto a economia brasileira cresceu 2,7% em 2011, o PIB da Índia deve apresentar um crescimento de 6,9% no ano fiscal que termina em março de 2012, segundo previsões do governo indiano.

Apesar de ser um dos destaques do crescimento global nos últimos anos, a economia da Índia passa por um momento difícil, com forte desaceleração da produção industrial no último semestre de 2011 e um índice de inflação alto.

A situação da indústria é parecida no Brasil: em janeiro, o setor recuou 2,1%, acumulando retração de 0,2% em 12 meses, afetado pela desaceleração econômica e pela concorrência de produtos importados.

'Alterar governança'

Além do comércio bilateral, a visita de Dilma Rousseff serviu para tratar temas que são caros aos países emergentes, como a reivindicação por um maior poder de decisão em órgãos internacionais.

Em discurso em Nova Déli, Dilma mencionou a luta "para alterar a governança dos organismos multilaterais de crédito, como o FMI e o Banco Mundial" e "para reformar as Nações Unidas, com um Conselho de Segurança ampliado, que ofereça importante contribuição para o sistema internacional, hoje carente de legtitimidade e de eficácia".

"Compartilhamos juntamente com África do Sul, Brasil e Índia a construção do IBAS (grupo que reúne Brasil, Índia e África do Sul), que desenvolve a coordenação política e a coordenação econômica entre grandes democracias dos três continentes", prosseguiu a presidente.

Dilma mencionou também o desenvolvimento sustentável e a realização da conferência Rio+20, em junho, elogiando a participação do premiê indiano, Manmohan Singh, que deve ir ao evento.

Estudantes

Brasil e Índia também assinaram acordos nas áreas de meio ambiente, cooperação técnica, cultural, consular, de promoção de igualdade de gênero, científica e tecnológica, direitos de mulheres e educacional.

O governo incluiu a Índia como um dos destinos do programa Ciência Sem Fronteiras, que deve mandar mais de 100 mil estudantes e professores brasileiros para instituições de ensino superior no exterior até 2014.

É a primeira vez que um país em desenvolvimento é incluído na lista de destinos do programa.

"Já aprofundamos as discussões e identificamos as instituições que deverão participar do programa, que estão nas cidades de Nova Déli, Mumbai e Bangalore", informou a embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis.

Ainda não há definição sobre o número de estudantes que devem receber bolsas para estudar na Índia, mas as áreas prioritárias serão as de ciência e tecnologia, engenharia genética e tecnologia aeroespacial.

Caças

Brasil e Índia também estão discutindo acordos de cooperação técnico-militar, incluindo a troca de informações sobre temas de interesse comum na área de Defesa.

Após uma visita do ministro da Defesa, Celso Amorim, à Índia, em fevereiro, o governo indiano concordou em compartilhar com o Brasil algumas informações sobre o processo que levou à escolha do caça francês Dassault Rafale para reequipar a Força Aérea da Índia.

O Brasil está realizando agora um processo de seleção semelhante para a compra de 36 novos caças. Entre os concorrentes estão o Rafale, o Boeing F-18 Super Hornet, dos EUA, e o Saab Gripen, da Suécia.

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