Acampamento 'ensina racismo' na África do Sul

Atualizado em  23 de março, 2012 - 06:41 (Brasília) 09:41 GMT
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    O documentário "Afrikaner Blood" (Sangue Africâner, em português), das holandesas Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien, ganhou o primeiro prêmio do concurso World Press Photo 2012 na categoria multimídia. O vídeo mostra adolescentes sul-africanos brancos em um acampamento de verão organizado por um grupo racista de extrema-direita.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    De acordo com as produtoras do documentário, o grupo Kommandokorps está ensinando garotos africâneres a "evitar a visão de Nelson Mandela de uma nação arco-íris multicultural". "Muitas pessoas estão chocadas que isso exista na África do Sul - as imagens quase parecem que foram feitas no passado", disse Van Gelder à BBC.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    "Esses garotos estão sofrendo uma lavagem cerebral. Eles vêm para o acampamento, dizem que acreditam na nação arco-íris, que têm amigos sul-africanos negros. Quando saem do acampamento, eles não querem mais ser sul-africanos e acreditam realmente que os negros são seus inimigos", afirma Van Gelder.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    O grupo é liderado por Franz Jooste (no centro), que foi major do Exército durante o Apartheid, regime de segregação racial que terminou em 1994 com a eleição de Mandela. As produtoras dizem que Jooste pretende criar uma nova geração de racistas, porque sua organização tem pouco apoio.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    "Não tenho vergonha de dizer que sou racista. Na África do Sul só é possível ser duas coisas: ou cego ou racista", diz Jooste. Após décadas de divisões raciais forçadas pelo governo, especialistas dizem que negros e brancos se entendem bem no país. No entanto, os negros dizem que permanecem marginalizados.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    Segundo Van Gelder, o líder do grupo "acredita que os brancos sul-africanos deveriam ter seu próprio país e que são muito diferentes da população negra para viverem juntos". A organização local Freedom Front, formada principalmente por brancos, condenou os acampamentos, dizendo que o ódio não é a solução para os problemas do país.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    O documentário multimídia combina os vídeos de Van Gelder com as fotos de Njiokiktjien. A diretora diz que as imagens ajudam o espectador a interromper por alguns momentos o vídeo para prestar atenção nas declarações do fundador do Kommandokorps, que são "duras e intrigantes".
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    "Nós somos Africâneres. Somos nosso próprio povo. Isto é quanto desrespeitamos esta coisa", diz o ex-militar quando o documentário mostra imagens de adolescentes pisoteando a bandeira da África do Sul.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    "Preciso de uma hora para mudar o que eles pensam. Aí, eles sabem que não são mais da nação arco-íris. São parte de uma outra nação orgulhosa de sua história", diz Jooste. O Kommandokorps diz ter treinado cerca de 1.500 pessoas. A polícia não divulga dados sobre ataques racistas, mas o Instituto de Relações Raciais da África do Sul diz que o número de incidentes está diminuindo.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    Ao chegar no acampamento, Riaan, de 18 anos, diz: "A África do Sul é uma nação arco-íris porque há grupos étnicos diferentes nesse país". Após o treinamento, ele diz ter mudado de opinião: "Tenho sangue africâner nas minhas veias. Eu não quero ser sul-africano. Eu não quero ser associado com a nação arco-íris."
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    "Eu não gosto de racismo porque as pessoas tendem a ficar com raiva umas das outras e bater umas nas outras", diz um garoto de 16 anos. Outro afirma: "Esse acampamento promove o racismo, mas não o racismo ruim". Lucy Holborn, no Centro de Relações Raciais, diz que o grupo representa uma minoria da população.
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    "Foi difícil, eu estava sentindo dor. Quero provar que consigo", diz um dos garotos. Outro, chorando, diz que não quer decepcionar seu pai, mas não consegue fazer o que estão lhe pedindo.
  • Foto: Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien
    O presidente do júri do World Press Photo disse apreciar "a ponderação que as autoras demonstraram ao contar a história". O trabalho está disponível no site www.froginatent.com.

Escola de racismo

O documentário "Afrikaner Blood" (Sangue Africâner, em português), das holandesas Elles van Gelder e Ilvy Njiokiktjien, ganhou o primeiro prêmio do concurso World Press Photo 2012 na categoria multimídia. O vídeo mostra adolescentes sul-africanos brancos que vão para um acampamento de verão organizado por um grupo racista de extrema-direita.

De acordo com as produtoras do documentário, o grupo Kommandokorps está ensinando garotos africâneres a "evitar a visão de Nelson Mandela de uma nação arco-íris multicultural".

"Muitas pessoas estão chocadas que isso exista na África do Sul - as imagens quase parecem que foram feitas no passado", disse Van Gelder à BBC.

O grupo é liderado por Franz Jooste (no centro), que foi major do Exército durante o Apartheid, regime de segregação racial que terminou em 1994 com a eleição de Mandela. As produtoras dizem que Jooste pretende criar uma nova geração de racistas, porque sua organização tem pouco suporte.

Após décadas de divisões raciais forçadas pelo governo, especialistas dizem que negros e brancos se entendem bem no país. No entanto, os negros dizem que permanecem marginalizados.

O documentário multimídia combina os vídeos de Van Gelder com as fotos de Njiokiktjien. A diretora diz que as imagens ajudam o espectador a interromper por alguns momentos o vídeo para prestar atenção nas declarações do fundador do Kommandokorps, que são "duras e intrigantes".

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