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PIB cresce 2,7% em 2011 e alcança R$ 4,1 trilhões

Atualizado em  6 de março, 2012 - 09:25 (Brasília) 12:25 GMT
Ag. Brasil

PIB é menor do que o projetado, mas evidencia bom momento econômico do Brasil

O PIB brasileiro cresceu 2,7% em 2011 e alcançou R$ 4,143 trilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda que bem inferior à projeção do governo no início do ano passado, de expansão de 5%, o resultado de 2011 evidencia o relativo bom momento da economia brasileira num momento em que a Europa e os Estados Unidos enfrentam graves dificuldades para voltar a crescer.

No entanto, apesar do resultado anual, os dados indicam que houve uma desaceleração da economia no fim do ano passado. Segundo o IBGE, a economia cresceu 0,3% nos últimos três meses de 2011 em relação ao trimeste anterior.

O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país ao longo do ano.

Segundo o IBGE, o desempenho da economia em 2011 foi puxado pelo consumo das famílias, que teve expansão de 4,1% em relação a 2010. Também tiveram bons resultados os setores agropecuário, com crescimento de 3,9%, e o de serviços, com 2,7%.

Contas externas

No setor industrial, conforme esperavam os analistas, o desempenho foi pior, com crescimento de 1,6%, puxado pelos setores de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (3,8%) e da construção civil (3,6%). Em compensação, a indústria de transformação ficou praticamente estagnada em relação a 2010, tendo crescido 0,1%.

Apesar da taxa anual positiva, o setor industrial vem perdendo o fôlego nos últimos meses. De acordo com o IBGE, a indústria nacional está encolhendo desde a metade do ano passado. Economistas avaliam que, em 2012, a situação continua a se deteriorar, principalmente devido à valorização do real, que encarece as vendas brasileiras no exterior e barateia as importações.

Em entrevista à BBC Brasil, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero diz que, ao privilegiar o crescimento por meio do consumo, o governo dá margem para que haja deficit nas contas externas, uma vez que parte da demanda interna terá de ser atendida por produtos importados.

Para cobrir o rombo na balança comercial, afirma ele, o país terá de recorrer à entrada de capital estrangeiro – o que por sua vez continuará a alimentar a valorização do real e reduzirá a competitividade dos produtos nacionais no exterior.

"Acho que é um dilema que o governo brasileiro não resolveu, e minha impressão é que sabe que não pode resolver, porque é contraditório com uma política econômica baseada no consumo", diz.

Taxa de juros

Também segundo analistas, o baixo ritmo de crescimento no quarto trimestre se mantém no início de 2012 e deve fazer com que o Banco Central (BC) continue a reduzir a taxa básica de juros, com o objetivo de injetar mais dinheiro (por meio de crédito) na economia. O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa, atualmente em 10,5% ao ano.

Desde setembro do ano passado, o governo já reduziu a taxa em dois pontos percentuais e tem anunciado a intenção de baixá-la ainda mais, para menos de 10%.

Apesar das reduções, a taxa de juros brasileira continua no topo do ranking mundial, à frente de Índia (8,5%), Rússia (8%), Hungria (7%) e China (6,56%). Em economias desenvolvidas, como EUA, Japão e Grã Bretanha, a taxa está próxima de zero.

A elevação dos juros é um dos principais instrumentos para o controle da inflação, mas tem efeitos colaterais. Quando eles sobem, bancos costumam aumentar suas taxas para empréstimos, o que desestimula investimentos produtivos.

Embora os dados indiquem desempenho tímido da economia no início do ano, analistas esperam desempenho positivo para o varejo com o aumento do salário mínimo, que passou a vigorar em 1º de janeiro. Neste ano, o salário mínimo subiu 14%, para R$ 622.

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