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Por pacote, Grécia terá que aprovar reformas e cortes

Atualizado em  21 de fevereiro, 2012 - 15:10 (Brasília) 17:10 GMT
Cegos protestam contra cortes de salários e aposentadorias em Atenas (AFP/Getty)

Cegos protestam contra cortes de salários e aposentadorias em Atenas

A Grécia terá que aprovar uma série de reformas que resultarão em cortes profundos de gastos e fiscalização de monitores da União Europeia para ter acesso ao empréstimo de 130 bilhões de euros concedido nesta terça-feira pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O plano de austeridade imposto pela UE e o FMI em troca da nova ajuda visa cortar os gastos públicos gregos, com o objetivo de reduzir a dívida pública dos atuais 160% do PIB para 120,5% em 2020.

Além disso, a economia grega será permanentemente monitorada por especialistas vindos de países da zona do euro. A Grécia também mudará sua Constituição para dar prioridade aos pagamentos das dívidas e não ao fornecimento de verbas para serviços do governo.

O governo grego também terá que estabelecer uma conta especial, separada de seu orçamento, que sempre deve ter divisas o bastante para a manutenção de suas dívidas pelos próximos três meses.

O país tem pouco mais de uma semana para aprovar uma série de cortes de gastos de mais de 3 bilhões de euros, enquanto se prepara para uma eleição geral antecipada que deve ocorrer em abril.

O ministro da Economia, Evangelos Venizelos, disse a jornalistas que os setores de impostos e Previdência serão afetados.

O gabinete de governo da Grécia vai se reunir com os partidos da coalizão na noite desta terça-feira e, depois desta reunião, os plano de cortes serão entregues ao Parlamento, que deve votar as medidas na quarta-feira.

De acordo com o editor da BBC para a Europa Gavin Hewitt, as medidas de monitoramento estão sendo vistas como são uma intrusão “humilhante” e “sem precedentes” na soberania da Grécia.

Mais protestos

Sindicatos da Grécia convocaram novos protestos para esta quarta-feira e o líder do Partido Comunista já promete se opor aos novos cortes.

"Insistimos na luta diária para frustrar as medidas e esta luta não pode ser defensiva", disse Aleka Papariga.

Muitos gregos também não aprovam a presença permanente dos monitores europeus e a medida é vista como um golpe no orgulho nacional.

Idosa pede esmola em rua do centro de Atenas (Reuters)

Idosa pede esmola em rua do centro da capital grega, Atenas

"Somos como viciados em drogas que acabaram de receber a próxima dose", disse a enfermeira aposentada Ioulia Ioannou, 70 anos, à agência de notícias Reuters. "Pela primeira vez, tenho vergonha de dizer que sou grega."

O novo empréstimo para a Grécia também não é bem visto por alguns políticos europeus. Os Parlamentos da Holanda e da Alemanha vão votar a aprovação do empréstimo na próxima semana.

O ministro da Economia da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, causou polêmica ao sugerir que a Grécia era um "poço sem fundo".

Mas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que o novo empréstimo deve evitar "um calote descontrolado com todas as suas graves implicações econômicas e sociais".

Para Barroso, a Grécia não tem escolha a não ser tentar conseguir a consolidação fiscal e a reforma estrutural.

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