União da Ilha leva a capital britânica para o sambódromo

Atualizado em  21 de fevereiro, 2012 - 06:31 (Brasília) 08:31 GMT
Foto: Júlia Dias Carneiro

Jader Henrique Silva Luiz nunca foi a Londres e quer andar nos famosos táxis da cidade

No desfile em que homenageou Londres, a escola de samba União da Ilha, no Rio, pinçou um pouco de tudo do presente e do passado da capital britânica.

Amy Winehouse e Freddie Mercury sambavam, ambos alados, sobre o piano de Elton John, à frente de um carrossel com estátuas de britânicos ilustres como Lady Di, Winston Churchill, os Beatles e Graham Bell (este dentro de uma cabine telefônica vermelha).

Na Marquês de Sapucaí, o percurso pela versão carioca da cultura inglesa foi o mais perto que muitos componentes da escola já chegaram da Inglaterra.

Embora reconheça ícones como o Big Ben e os guardas do Palácio de Buckingham, o zelador Jader Henrique Silva Luiz, de 32 anos, nunca esteve na cidade.

"Estou achando o máximo. Queria estar em Londres para andar num táxi destes", disse ele na concentração, logo antes do desfile.

Jader "vestia" um táxi pretinho como os modelos tradicionais da cidade, pendurado a seu corpo por suspensórios e com os faróis apontando para frente. Tirou fotos de si com a fantasia para levar para Londres na primeira oportunidade.

"Vou mostrar para os taxistas lá e contar que já desfilei dentro de um táxi deles aqui na Marquês de Sapucaí", disse Jader logo antes de entrar na avenida, fazendo o táxi "andar" com um rebolado especial, ensaiado para a coreografia.

Duas ilhas

Foto: Júlia Dias Carneiro

Miguel Lopes faz sua estreia em escola de samba aos 10 anos, de coelho da Alice

Batizado de "De Londres ao Rio: Era uma vez uma... Ilha", o enredo da escola de samba da Ilha do Governador procura estabelecer conexões com outra ilha, a Inglaterra, em função dos Jogos de 2012, em Londres, e de 2016, no Rio.

O samba mistura as duas culturas em versos como "Vou botar molho inglês na feijoada/ Misturar chá com cachaça", ou "Batuquei meu samba com... Rock'n'roll".

"Só faltou a Rainha Elizabeth participar desta festa maravilhosa", disse o professor Luiz Mello, de 51 anos, que desfila no Sambódromo há 20 anos e desta vez estava vestido de Charles Chaplin.

O carnavalesco Alex de Souza, de quem partiu a iniciativa de fazer a homenagem a Londres, criou fantasias elaboradas um ano depois que um incêndio, poucos dias antes do desfile, destruiu suas criações, levando a uma apresentação mais simples, com roupas feitas na última hora.

Ao contrário de muitos desfiles que são patrocinados por cidades, Estados ou entidades, a assessoria de imprensa da União da Ilha informa que a escola não contou com patrocínio do governo inglês, nem da prefeitura do Rio.

Sherlock Holmes e Guerreiros celtas

Foto: Júlia Dias Carneiro

As flores do jardim de 'Alice no País das Maravilhas' na concentração

Londres estava à vista em alas compostas por múltiplos Sherlock Holmes (sendo apunhalados pelas costas por Jack, o Estripador), Frankensteins, Merlins, Sargeant Peppers, cavaleiros das cruzadas, índios, guerreiros celtas e personagens em traje de baile.

No "Baile dos Capuletos", em referência a uma das famílias rivais da história de Romeu e Julieta, o retrato de Shakespeare estava estampado nas saias armadas das moças.

Havia ainda pessoas vestindo flores, xícaras, cartas de baralho e coelhos, compondo o colorido mundo de Alice no País das Maravilhas. A personagem foi encarnada por Letícia Spiller.

"Estou no próprio país das maravilhas que é o nosso carnaval", disse a atriz logo antes de começar o desfile.

"Estou muito honrada de estar vivendo um personagem universal, atemporal."

Já o coelho eternamente atrasado da história de Lewis Carroll foi representado por uma legião de crianças, como Miguel Lopes, de 10 anos. Ele não conhece Londres, mas disse estar feliz por poder levar a fantasia para casa ("vou poder usar na festa à fantasia da escola") e por ver a Letícia Spiller de perto.

"Legal, né? Eu nunca vi uma pessoa famosa", ressaltou, apontando ainda ser a primeira vez que estava desfilando – e dando uma entrevista.

Ligação olímpica

Foto: Júlia Dias Carneiro

A atriz Letícia Spiller de Alice no País das Maravilhas

Houve quem achasse graça em tanta mistura. A arquiteta Cristina Wakamatsu, do Paraná, que mora há cinco anos em Dubai e tem clientes ingleses, se surpreendeu ao ver que sua fantasia vinha com um coala no braço esquerdo e um urso panda no direito.

"Estamos representando a Oceania", explica.

Jacqueline Oliveira, de 32 anos, veio de Tocantins para o Rio para desfilar em uma escola e escolheu a União da Ilha por ter gostado da fantasia de Sherlock Holmes e por ter achado interessante a ligação com a Olimpíada.

"Acho que já vai dando uma aquecida (para a Olimpíada) e fazendo um marketing bom para o Rio", diz a promotora de justiça.

A conexão com o Rio e com os Jogos de 2016 encerraram o desfile. Nas últimas alas, os componentes usavam fantasias com os anéis-símbolo dos jogos e levantavam bandeiras de diferentes países.

O último carro, com bonecos nas cores olímpicas, quase emperrou na hora de entrar na avenida. Mas, empurrado por muitas mãos, pegou embalo e fechou, com sucesso, a conexão Rio-Londres.

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