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Lucas Mendes: Linsanidade

Atualizado em  16 de fevereiro, 2012 - 06:13 (Brasília) 08:13 GMT

No cinema ainda não aconteceu porque seria impossível acreditar na ficção, mas vai acontecer porque Lin é história de Linderela.

Desculpem. Este trocadilho foi Linfame e vou tentar parar por aqui mas, você, longe daqui, não pode imaginar como o fenômeno Lin que começou no dia 4 de fevereiro, Linédito, transcendeu o esporte, conquistou Nova York, avança pelo resto do país, rompe fronteiras.

LINSANITY, foi a manchete e vai entrar para o vocabulário de 2012.

No meio deste noticiário de Grécia em chamas, Europa na fornalha, Oriente Médio nas garras nucleares, do petróleo em alta, surge do banco dos reservas um Linefável chinês de 23 anos e afasta o noticiário das tragédias com jogadas, passes e arremessos Lindenfensáveis, tira o time de uma fossa de 15 derrotas e 8 vitórias com sete vitórias consecutivas, dobra a audiência dos jogos pela TV, lota os estádios, sobe o valor das ações da empresa dona do time e suas camisas, New York Knicks número 17, não param nas estantes dos Estados Unidos nem da China.

Tudo em menos de duas semanas.

Barack Obama começou sua quarta-feira Linspirado pela vitória dos Knicks na terça, em Toronto, quando, faltando um segundo para terminar o jogo, o time perdia de 89 a 87. Lá de fora do arco, Lin fez uma cesta de três pontos e deu ao time a sexta vitória consecutiva, 90 a 89.

Lin é Jeremy Shu-How Lin, nascido e criado na Califórnia, 1,91 m de altura, filho de pais taiwaneses cristãos, ambos com 1,68 m, imigrantes de Taiwan. A avó materna morava na cidade de Jiaxing, na provínica de Hangshou, na China. Fugiu de Mao Tsé Tung para Taiwan durante a revolução chinesa.

China, Taiwan e os americanos brigam pela paternidade de Lin que talvez não seja o único chinês no basquete americano neste momento mas se, existe outro, ninguém sabe o nome dele.

Fãs do mundo inteiro sabem quem foi Yao Ming que, com 2,29 m, foi o maior jogador da história da liga e levou seu time, os Rockets, do Texas a centenas de vitórias. Era desengonçado e competente nos bloqueios e campeão nos rebotes, mas, machucado, jogou pouco nas últimas temporadas.

Lin tem um currículo Linédito no basquete. Vem de Harvard onde foi bom aluno, mas a universidade já gerou mais presidentes da república, oito, do que jogadores da NBA. Desde de 54 nenhum harvardiano entrava na NBA.

Ele, um armador, a posição de Magic Johnson, já tinha se destacado no basquete no curso secundário, mas nenhuma universidade do primeiro time acadêmico ofereceu a Lin uma bolsa de estudo. Harvard garantiu a ele um lugar no time, sem bolsa.

Pelo sistema americano, os times profissionais recrutam os jogadores que saem das faculdades.

Lin não foi recrutado mas conseguiu um contrato modesto com os Warriors, de Los Angeles, seu time favorito da adolescência.

A conexão infeliz terminou em dezembro do ano passado. Dispensado e despachado para os Rockets, do Texas, foi dispensado duas semanas depois e encaminhado para uma divisão secundária da NBA.

Duas demissões em 15 dias. Pensava em abandonar o basquete quando os Knicks, com jogadores machucados, ofereceu um contrato padrão a Lin por um vigésimo do preço que paga as suas principais estrelas, Carmelo e Stoudemire.

Foi uma tragédia, a morte do irmão de Stoudemire num acidente de carro na Flórida, que tirou a estrela do estádio e Lin do banco de reservas. Suas participações anteriores no time tinham sido breves e medíocres.

Naquela noite, contra os Nets, ele fez 25 pontos e garantiu, pela primeira vez na carreira, sua escalação para o jogo seguinte, contra o Jazz: fez 28 pontos. Terceiro jogo: Wizards, Lin : 23 pontos.

Foi a quarta vitória consecutiva, em rede nacional, contra os sempre favoritos Lakers, de Kobe Bryant, que colocou Lin em órbita e os fãs em transe: 38 pontos contra 34 de Kobe no Madison Square Garden, templo maior do basquete.

No quinto jogo, a quatro segundos do final Lin fez a cesta que garantiu a vitória de 100 a 98. E contra os Raptors, de Toronto, completou a sexta vitória do time a menos de um segundo do final, a segunda com menos de 5 segundos de jogo. Nesta quarta-feira, contra um time medíocre, os Kings de Sacramento, os Knicks venceram pela sétima vez, de lavagem mas só deixaram Lin jogar 24 minutos.

Desde 64 nenhum jogador estreante num time fez tantos pontos e deu tantos passes. A mídia multiplicou as façanhas de Lin, simpático, inteligente, modesto. É incapaz de usar a primeira pessoa. Sempre é o time e a terceira do plural.

E há a história do sofá. Há dois meses, sem certeza se teria um emprego, Lin dormia no sofá do irmão. A foto do móvel, sem ele, foi uma mais circuladas na internet.

Calculam, por baixo, que Lin vale US$ 14 milhões por ano mas a história não tem preço. Linresistível.

PS - Perdoem os trocadilhos, mas poupei você de Linvencível, Lincansável, Linconquistável, Linesquecível, Linexplicável, Linusitado, Linvejável, Linflamável, Lindomável , etc...uma lista Linterminável. Todos se aplicam a Lin.

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