Parlamento grego vota 'cruciais' e polêmicos cortes de gastos

Atualizado em  12 de fevereiro, 2012 - 11:56 (Brasília) 13:56 GMT
Premiê grego em discurso na TV (Reuters)

Premiê fez apelo pela aprovação das medidas, para evitar 'desastre' na Grécia

O Parlamento grego iniciou neste domingo a votação de novas medidas de austeridade, que cortam gastos públicos são vistas como cruciais por habilitarem o país a receber nova injeção de dinheiro do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu.

Altamente impopulares, as medidas de austeridade são uma precondição exigida pela trinca de credores da Grécia para liberar um pacote de resgate de 130 bilhões de euros (R$ 296 bilhões), que permitiria que o país pagasse suas dívidas.

Antes da votação, o premiê grego, Lucas Papademos, havia advertido, em um comunicado televisionado, que a não aprovação das medidas de austeridade forçaria a Grécia a declarar a moratória de suas dívidas, o que "levaria o país por uma aventura desastrosa".

A votação deste domingo deve se estender até a noite, e é possível que os parlamentares só tomem uma decisão na segunda-feira.

A discussão está sendo acompanhada de perto pelo resto da Europa, que teme que uma eventual moratória grega coloque em risco a estabilidade financeira do continente e sua moeda comum.

Cortes no salário mínimo

As medidas em votação envolvem cortes de 22% no salário mínimo, flexibilização de leis trabalhistas (para facilitar a demissão de trabalhadores) e um pacote de impostos e reformas previdenciárias.

Protestos em Atenas, em foto de 9 de fevereiro

Já afetada por recessão e desemprego, população não tem apoiado as medidas de austeridade

As propostas têm provocado forte descontentamento entre o povo grego, já assolado por uma recessão econômica e por altas taxas de desemprego.

Em reação à votação, os sindicatos gregos convocaram uma greve de 48 horas e uma manifestação, neste domingo, diante do Parlamento, que deixou a polícia em estado de alerta.

O argumento dos opositores é de que as medidas de austeridade estão sendo impostas ao país pelo FMI, a UE e o BCE.

Ainda assim, analistas creem que a lei de austeridade tem apoio suficiente entre os parlamentares para ser aprovada.

O Pasok, o maior partido da Casa, e seu aliado de coalizão, o Nova Democracia, apoiaram a lei e juntos somam mais de 230 parlamentares, de um total de 300.

Os legisladores também votarão um acordo para tentar negociar com investidores privados uma redução de 100 bilhões de euros na dívida do país, que totaliza 360 bilhões.

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