
Coronel disse considerar que greve 'acabou' e que há 'tendência' de volta à normalidade.
O comandante da Polícia Militar da Bahia, coronel Alfredo Castro, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira que cortará o ponto dos policiais que mantiverem a greve no Estado, ou seja, que o comando deixará de entender as faltas como adesão ao movimento grevista.
"A greve, na minha ótica, acabou", disse Castro, segundo relato da Agência Brasil. "Tudo tem um começo, um meio e um fim, e o fim da greve está decretado. Quero registrar que a falta ao serviço não está sendo considerada adesão à paralisação e, a partir de hoje, as apurações serão feitas."
Ele acrescentou que 85% dos policiais da região metropolitana de Salvador estão trabalhando e que há uma "tendência de volta à normalidade".
Em greve desde 31 de janeiro, os policiais baianos iniciaram a paralisação pedindo mudanças salariais e anistia administrativa para os PMs grevistas. Agora, exigem também a revogação dos mandados de prisão dos líderes da greve.
O aumento na violência ocorrido simultaneamente à paralisação fez com que o Exército fosse enviado ao Estado.
Na última quinta, uma assembleia dos PMs grevistas votou pela continuidade da greve, mas Castro disse, nesta sexta, que a decisão foi de uma minoria "que está resistindo à convocação do comando da PM ao trabalho. A maioria está nas ruas".
Uma nova assembleia está prevista para a tarde desta sexta, informa a Agência Brasil.
Relações tensas e gratificação
O Estado também aceitou deixar de lado inquéritos administrativos contra os policiais grevistas, mas disse que a Justiça não pode abrir mão de processar aqueles que tenham cometidos crimes durante a paralisação.
"Nós estamos num momento que é um divisor de águas. Ou essa situação termina ou nós vamos ver isso se repetir em 2013 com a Copa das Confederações, em 2014 com a Copa do Mundo", disse o secretário de segurança pública da Bahia, Maurício Barbosa.
'Momento é um divisor de águas', diz secretário sobre greve na Bahia

Para Maurício Barbosa, titular da Segurança Pública, situação pode se repetir em 2013 e 2104.
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As relações entre os policiais militares da Bahia e o governo do Estado continuam muito tensas, embora os dois lados digam que trabalham para o fim da greve o mais rápido possível.
O principal ponto de discórdia agora diz respeito ao cronograma de concessão da Gratificação por Atividade Policial (GAP), que o governo já concordou em conceder aos policiais.
Mas o governo diz que só tem condições de pagar a gratificação em parcelas que se estendem até 2015, enquanto os policiais querem que os aumentos saiam no máximo ano que vem.
"Aceitamos conceder a GAP, que é um sonho de todos os policiais da Bahia, mas temos que pagar isso dentro de um cronograma que seja possível", afirmou o secretário.
Carnaval
Mas a preocupação mais concreta agora é com a segurança do Carnaval que começa em Salvador já na quinta-feira da semana que vem. Por ora, as autoridades se limitam a afirmar que a festa está garantida, mas sem apresentar um plano B.
'Policiar Salvador no Carnaval não é para qualquer um', diz grevista

Soldado Ivan Coelho disse que o 'preocupa' a ideia de deixar militares fazerem o policiamento da festa na capital baiana.
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O soldado Ivan Coelho, membro da comissão de greve, diz que os policiais acreditam que a paralisação será encerrada antes do Carnaval. No entanto, poucas horas antes, seus companheiros de tropa haviam saído da assembleia que decidiu pela continuação da greve aos gritos de "PM parou e Carnaval acabou".
O soldado Coelho disse que o "preocupa" a ideia de deixar o Exército ou membros da Força Nacional fazerem o policiamento da festa de Carnaval em Salvador.
"(Nas tropas enviadas ao Estado) há umas pessoas que são paraquedistas. Eu não sei pular de paraquedas, não sei fazer esse serviço e talvez o meu seja até mais simples, mas policiar as ruas de Salvador durante o Carnaval também não é para qualquer um", disse.
Rio
A greve de policiais chegou ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira.
Mas o porta-voz da Polícia Militar (PM), coronel Frederico Caldas, disse que a greve não interrompeu os serviços da polícia na cidade, que o Bope (Batalhão de Choque) vai reforçar a segurança local e que os policiais das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) não aderiram à paralisação.



















