
Fortuna de Romney foi tema de debate, tema espinhoso em tempos de crise
Com a vitória na Flórida, o pré-candidato Mitt Romney ganha impulso e firma sua liderança nas primárias que irão definir o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. Mas a disputa com o conservador Newt Gingrich durante as prévias deixa fortes cicatrizes na campanha.
Com mais de 90% das urnas apuradas, Romney obteve uma ampla e confortável vantagem com 46% dos votos, seguido por Gingrich, com 31%, Rick Santorum, 13% e Ron Paul, 7%, na primária da Flórida de terça-feira.
O Estado é o quarto, e o maior até agora, a realizar uma prévia republicana para as eleições presidenciais de novembro. A disputa no Estado foi marcada por uma dura troca de ataques entre os principais pré-candidatos.
Uma análise do Campaign Media Analysis Group, da Flórida, citada pela rede CNN, apontou que 92% da propaganda política no Estado foi negativa, dedicada à depreciação dos concorrentes.
Segundo o presidente do instituto, Ken Goldstein, citado pelo mesmo veículo, "esta foi a campanha mais negativa" da história recente dos Estados Unidos.
Os ataques a Romney tiveram como alvo a fortuna do ex-governador de Massachusetts, vista com receio em tempos em que boa parte do eleitorado culpa os grandes magnatas pela crise que abala o país.
Já Gingrich foi retratado com um conhecedor de negociatas que sabe se movimentar bem por Washignton, onde já foi presidente da Câmara dos Representantes (equivalente a de deputados).
Declarações da ex-mulher de Gingrich revelando que o congressista da Geórgia teria proposto uma relação aberta também ressoaram na campanha.
Clique Veja: Divisões entre hispânicos desafiam pré-candidatos na Flórida
Visão negativa
A disputa acirrada já parece ter reflexos no eleitorado americano. Uma pesquisa do jornal The Washington Post e da rede ABC indica que 49% dos americanos possuem uma visão negativa de Romney – e apenas 31% têm impressão favorável.
Apesar da derrota na Flórida, Gringrich já avisou que vai até o fim da disputa, o que pode prolongar as divisões entre moderados e conservadores no partido e favorecer o presidente Barack Obama, candidato à reeleição em novembro.

Gingricht acusa Romney de ser 'liberal', enquanto é retratado como lobista em Washington
O acirramento da campanha chamou a atenção do senador e cacique republicano John McCain, candidato derrotado do partido nas últimas eleições.
McCain disse que os republicanos deveriam estar alvejando a administração de Obama, e não a si mesmos.
Campanha
A próxima parada dos republicanos é o Estado de Nevada.
Com a vitória na Flórida e em New Hampshire, Romney amplia a vantagem à frente na disputa. Mas sua liderança já foi contestada, nas primárias da Carolina do Sul, vencidas por Gingrich, e no caucus de Iowa, que teve o resultado corrigido com vitória para Santorum.
Santorum e Paul desistiram, nas vésperas da votação, de fazer campanha na Flórida, já que segundo as regras no Estado o vencedor do partido leva a totalidade dos delegados (e não apenas o número correspondente à sua votação) para a convenção nacional que indicará oficialmente o adversário de Obama.
Na campanha da Flórida, a ex-candidata à vice-presidência e ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, reapareceu e deu apoio ao conservador Gingrich.
A disputa entre os republicanos tem sido marcada pela divisão entre os conservadores, liderados por Gingrich e Santorum, que têm o apoio de vários integrantes do movimento Tea Party, e os moderadores, liderados por Romney.
Para muitos republicanos, Romney é liberal demais. O fato do ex-governador de Massachusetts ser mórmon também é um tema considerado por muitos eleitores em um país fortemente influenciado pela religião.

















