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Sonho e realidade dividem espaço em exposição fotográfica na Argentina

Atualizado em  26 de janeiro, 2012 - 08:48 (Brasília) 10:48 GMT

Galeria de Fotos: Bienal Internacional de Fotografia Artística e Documental

  • Foto: Katerina Bodrunova
    Arte e realidade dividem espaço em uma grande exposição de fotografias, em Buenos Aires. Esta imagem, da fotógrafa russa Katerina Bodrunova, faz parte de uma tendência surrealista que vem crescendo no país. Segundo o curador da bienal, esta forma de arte era proibida e só foi liberada a partir da queda do muro de Berlim. "A arte surreal, com a expressão livre, era censurada e agora ela marca esta etapa de libertação artística no país”, disse Julio Hardy.
  • Foto: Stephen Hall
    A Bienal Internacional de Fotografia Artística e Documental reúne 310 fotos de 220 fotógrafos e artistas. A foto de Stephen Hall mostra a realidade dos alunos de um povoado na Etiópia onde é normal as crianças irem às aulas sem roupas.
  • Foto: Tom Chambers
    Tom Chambers é um fotógrafo americano que se caracteriza pelo surrealismo, com fotos com sentido ‘onírico’, como explica o curador da bienal, Julio Hardy. “São imagens típicas dos sonhos e por isso são surreais”, disse.
  • Foto: Joni Kabana
    A fotografa americana Joni Kabana realizou um autorretrato dela e do filho, segundo o curador da mostra. “A foto da criança sem cabelos mostra a crueldade de uma doença e ainda a tristeza e o amor de sua mãe, que é a própria fotógrafa”, afirmou.
  • Foto: Ragne Sigmond
    O fotógrafo dinamarquês Ragne Sigmond realizou esta foto artística para interpretar a ‘fugacidade’ (nome da obra) da mulher. Uma imagem, interpreta o curador, que não voltará a se repetir.
  • Foto: Gnb Akash
    O fotógrafo Gnb Akash é de Bangladesh e costuma retratar o trabalho infantil. Nesta foto, um menino trabalha em uma fábrica de fogos de artifício.
  • Foto: Jenine Chaban
    A fotógrafa canadense Jenine Chaban busca inspiração no trabalho do artista belga Magritte e esta foto artística pode ser interpretada como a solidão do homem frente ao passar do tempo, observa o curador da mostra.
  • Foto: Jimmy Williams
    O fotógrafo americano Jimmy Williams retrata na fotografia "O bispo Dreary e Marie Manning" a realidade do casal e o ambiente em que vive. Segundo o curador da bienal, a foto sintetiza a tendência da fotografia nos Estados Unidos. “É uma corrente hiper-realista americana que mostra os personagens em seus ambientes”, disse o curador.
  • Foto: Kamil Vojnar
    A foto de Kamil Vojnar, que é da República Tcheca e mora na França, se chama ‘Atraída pela luz’. A imagem surrealista é de 2009.
  • Foto: Torkil Faeroe
    Foto do turco Torkil Faeroe, tirada num povoado do Marrocos. O trabalho dele inclui fotos documentais sobre os rostos de pessoas de diferentes culturas.
  • Foto: Dale Johnson
    A fotógrafa americana Dale Johnson se inspirou no impressionismo francês para realizar esta obra chamada ‘O guarda noturno’.
  • Foto: Emanuel Ortiz
    O fotógrafo argentino Emanuel Ortiz é o único convidado da exposição. Ele mora na França e trabalha com fotojornalismo. Ele cobriu guerras como a da Bósnia, nos anos 1990, e retratou um soldado chorando numa árvore. “Nesta foto (Bósnia), ele mostra um soldado chorando e não lutando, como imaginamos um soldado”, disse.

Sonho e realidade

Uma exposição que reúne 310 fotos de 220 fotógrafos e artistas de 40 países, incluindo Brasil, Estados Unidos e França, foi inaugurada na semana passada no Centro Cultural Borges, em Buenos Aires.

As imagens serão leiloadas no dia 14 de fevereiro no Museu de Arte Latino-Americano (Malba), na capital argentina.

A arrecadação será destinada às fundações Save the Children, que é internacional, e FLENI (Fundação para a Luta contra Doenças Neurológicas), de Buenos Aires, como contou à BBC Brasil o curador da Bienal Internacional de Fotografia Artística e Documental, o fotógrafo argentino Julio Hardy.

Hardy integra a Worldwide Photography Gala Awards, organizadora da mostra.

"Entendemos que pelo número de participantes e de países esta é a maior exposição fotográfica, e com fins beneficentes, realizada na América Latina", disse Hardy.

Ele observou que cerca 70% dos participantes da mostra são mulheres e que a variedade entre o fotojornalismo e o artístico marca a bienal.

"Notamos que a presença feminina no mundo da fotografia, entre outros setores, tem se intensificado nos últimos tempos e a bienal confirma esta tendência", disse.

Ele contou que os fotógrafos doaram pelo menos uma imagem para a exposição que antecipará o leilão que será aberto ao público.

"É um gesto de generosidade de grandes fotógrafos de nome internacional e uma forma de também promover os trabalhos que realizam", afirmou.

A primeira mostra foi realizada em junho de 2010, em Madri, na Espanha, e reuniu número inferior de obras e de artistas – cento e sessenta imagens e participantes de trinta e cinco países.

A diversidade da mostra inclui trabalhos de fotojornalismo, muitas vezes com tom humanista, como observou o curador, e surrealistas.

Entre as fotos jornalísticas destaca-se, por exemplo, a de Stephen Hall, chamada 'Natural numbers village school', que retrata a realidade de crianças nuas em uma aula de matemática, em um povoado da Etiópia.

"Crianças nuas são fato normal, fazem parte da cultura da Etiópia. Para eles, a roupa não tem a mesma conotação que a do mundo ocidental e foi o que Hall retratou", afirmou o curador.

A seleção de imagens revela a criatividade dos artistas ou simplesmente a realidade mostrada, por exemplo, nas fotos das crianças trabalhando em Bangladesh, no estilo de vida de religiosos americanos ou na tristeza da mãe que abraça o filho que enfrenta problemas de saúde – caso do autorretrato da fotógrafa americana Joni Kabana, com o filho Darian, nome da obra.

"É uma foto humanista, que revela a dor e o amor de uma mãe por seu filho", disse.

As imagens que integram a mostra foram selecionadas por alguns dos maiores especialistas do mundo, em um júri que incluiu nomes da Magnum, da revista Zoom, da Itália, e da Associação de Fotógrafos da Dinamarca, entre outros.

A exposição seguirá até o dia 27 de fevereiro, mesmo após o leilão.

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