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China espera boom de bebês em Ano do Dragão

Atualizado em  23 de janeiro, 2012 - 07:27 (Brasília) 09:27 GMT

Catherine Mok espera gastar 50% a mais com a segunda filha que com a primeira

Catherine Mok, uma mãe moderna de Hong Kong que se divide entre a vida profissional e criação da filha, sabia que dar à luz neste ano sairia caro.

Assim como muitos chineses e descendentes ao redor do mundo, ela crê que o signo do Dragão é o Zodíaco do calendário chinês mais auspicioso do ciclo tradicional que completa sua volta a cada 12 anos.

"O dragão é especial. Eu podia esperar um ou dois anos mais, mas claro, não quero esperar mais 12 anos por um bebê dragão", disso Catherine à BBC. O parto deve ser no mês que vem.

Em parte por causa do aumento da demanda, a maquiadora espera gastar cerca de 100 mil dólares de Hong Kong (cerca de R$ 22,7 mil) só em cuidados médicos relativos à gravidez – mais de 50% a mais do que gastou no nascimento da primeira filha, nascida no ano do Rato, três anos atrás.

Em Hong Kong, o governo espera um aumento de 5% no número de nascimentos em 2012 em relação a 2011. Médicos e especialistas acreditam que a elevação seja ainda maior: 10%.

Gastos

Os esforços dos casais em ter seus filhos no Ano do Dragão têm criado expectativas econômicas para empresas que vendem ou fabricam fraldas, berços, leite em pó e outros produtos neste nicho de mercado.

BBcare, uma agência que provê serviços pré e pós-natal em Hong Kong, espera uma aumento de 20% na sua receita neste ano em relação ao ano passado em decorrência do Ano do Dragão.

A agência diz que o número de consultas por telefone ou e-mail já saltou 25% e os preços dos serviços, prestados por hora, 15%.

A tradição chinesa manda que, por causa de sua vulnerabilidade após o parto, a mulher entre em um período de recuperação e, se possível, confinamento dentro de casa por um mês para se recuperar.

Empresas que oferecem produtos e serviços ligados a bebês estão otimistas

Wendy Law, da BBcare, acredita que, com tantas mães dando à luz em Hong Kong ao mesmo tempo, vai haver carência de enfermeiros para cuidar de tanto pós-parto.

Para analistas, o "baby boom" temporário também deve dar fôlego ao mercado imobiliário em cidades chinesas.

Segundo o analista de mercado imobiliário do banco de investimento Citi, Ken Yeung,um ano considerado auspicioso no Zodíaco acarreta um aumento de 12% no número de casamentos, contra apenas 1% em anos vistos como menos afortunados.

"Esse aumento no número de casamentos cria um bom potencial para potenciais compradores no mercado imobiliário", diz.

"Esse fator deve liderar a demanda estrutural por imóveis em 2012, ao passo que a oferta deve continuar limitada no curto prazo."

Incertezas

De Taiwan a Indonésia, a crença de que o Ano do Dragão traz boa sorte é amplamente aceita entre os cidadãos chineses ou descendentes. Mas o custo associado a ter um filho especialmente neste período afasta muita gente.

O analista do banco BNP Paribas Charlie Chen, que ganha parte do seu salário em bônus, diz que este é o fator que mais pesa na decisão de ter filhos ou não.

Com tanta incerteza nos mercados financeiros dos EUA e da Europa, ele diz que não tem escolha senão pular o Ano do Dragão.

"Sou casado e pessoalmente, queria ter um filho no Ano do Dragão", ele diz. "Mas com a turbulência nos mercados, vamos ter de adiar."

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