EUA retiram seus últimos soldados do Iraque

Atualizado em  18 de dezembro, 2011 - 08:31 (Brasília) 10:31 GMT
Soldado americano carrega mantimentos durante retirada do Iraque (AP)

EUA manterão no Iraque somente um pequeno contingente de treinamento

O último pelotão de soldados dos Estados Unidos baseados no Iraque deixou o país e cruzou a fronteira com o Kuwait, pondo fim à operação de retirada americana, nove anos após a invasão que derrubou Saddam Hussein.

A divisão formada por cem veículos blindados transportando 500 soldados cruzou o deserto do sul do Iraque entre o sábado de madrugada e a manhã deste domingo.

No auge da presença militar americana no Iraque, o país chegou a contar com mais de 170 mil soldados no país e um total de 500 bases.

O conflito matou cerca de 4.500 soldados dos Estados Unidos e dezenas de milhares de iraquianos desde o início da campanha militar, em 2003.

A guerra teve um custo de cerca de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 1,8 trilhão) para os cofres americanos.

Por conta própria

Com a saída das forças americanas, o Iraque espera poder conter as explosões de violência sectária que ainda assolam o país por meio de suas forças de segurança treinadas pelos Estados Unidos. Mas atentados e confrontos deixam em média 350 pessoas mortas todos os meses no Iraque.

De acordo com o correspondente da BBC em Teerã, Jim Muir, a segurança precisa estar ligada à estabilidade política, outro dos grandes desafios enfrentados pelo país.

Mas em meio à retirada americana, uma crise política começava a emergir em Bagdá, com deputdos do bloco Iraqyya, do primeiro-ministro Ayyad Allawi, se retirando do parlamento, no sábado.

A facção política é formada por muçulmanos sunitas e acusa o governo predominantemente islâmico xiita do presidente Nouri al Maliki de concentrar demaisado poder em suas mãos.

Há também tensões em duas regiões predominantemente sunitas, que querem se declarar autônomas, à exemplo do que fizeram os curdos no Norte do Iraque.

Existe ainda uma convicção generalizada de que com a saída dos americanos, a influência iraniana sobre o Iraque irá aumentar.

Os Estados Unidos irão manter no país apenas 157 soldados responsáveis por treinamento na Embaixada americana, assim como um pequeno contingente de fuzileiros navais responsáveis pela segurança da missão diplomática.

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