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Prisões de Ruanda usam fezes de presidiários para gerar energia

Atualizado em  18 de dezembro, 2011 - 15:02 (Brasília) 17:02 GMT

Combustível de cocô

  • Detendtos do presídio de Nsida carregam pás para trabalhar. Foto: Graham Holliday
    As 14 prisões de Ruanda apostaram em uma solução inusitada para reduzir os custos energéticos e proteger a selva nativa do país. Elas estão usando fezes humanas como biocombustível, que responde por 75% do gás que abaste as cozinhas. As fornalhas dos cárceres dependem de uma produção constante de fezes, o que os presídios conseguem fornecer sem maiores dificuldades.
  • Presidiários de Nsida caminham em meio às plantações de feijão, milho e mandioca que rodeiam o centro de detenção. Foto: Graham Holliday
    O presídio de Nsinda conta com pouco menos de 8 mil detentos. Muitos deles foram condenados por envolvimento no genocido de 1994. Sob o olhar atento dos guardas, os detentos trabalham no cultivo de alimentos como feijão, milho, banana e mandioca, que são usados nas cozinhas dos penitenciárias.
  • Diagrama mostra como funciona o sistema de biogás. Foto: Graham Holliday
    Uma das cozinhas de Nsinda funciona à base de biogás. Alguns dos detentos são engenheiros de formação e colaboraram com o Instituto de Tecnologia de Kigali na criação de um sistema de tubulação que alimenta a usina de biogás construída nos fundos do presídio.
  • Prisioneiro recolhe fezes que serão usadas na produção do biogás. Foto: Graham Holliday
    O biogás é produzido ao se mesclar os detritos que os presidiários de Nsinda deixam nos 24 banheiros locais com fezes de vacas que habitam os arredores do centro de detenção e mais água. A dieta dos prisioneiros não é rica o suficiente para .produzir biogás de qualidade, mas a combinação de detritos resulta num gás de qualidade.
  • Detentos conferem estado das câmaras. Foto: Graham Holliday
    O gás é criado e armazenado em 12 câmaras localizadas do lado de fora localizados fora da prisão. Cada uma tem capacidade de 100 metros cúbicos de gás. Elas são mantidas pelos próprios presos, que checam para garantir que elas não sofrerão rachaduras ou vazamentos.
  • Detento de Nsinda acende fogo da cozinha que funciona à lenha. Foto: Graham Holliday
    "Até 2013, não restarão cozinhas à lenha nas prisões'', afirma Emmanuel Ndori, o diretor do programa de biogás nos cárceres ruandeses. Por enquanto, metade de Nsinda segue funcionado à base de lenha. A madeira é cortada pelos próprios detentos, que a recolhem nos arredores da prisão.
  • Prisioneiro mexe em caldeirão contendo milho. Foto: Graham Holliday
    Os presidiários comem duas vezes ao dia. E o cardápio é sempre o mesmo. Um cozido de mandioca pela manhã e milho com feijão na parte da tarde. Na hora do almoço, a cozinha que não utiliza biogás se enche do vapor do milho e da fumaça provocada pela queima da lenha.
  • Preso observa o funcionamento da cozinha movida a biogás. Foto: Graham Holliday
    Em contraste, na cozinha renovada, que trabalha à base de biogás, não há fumaça nem odores e é possível respirar. O biogás é bombeado a partir das câmaras por meio de uma série de tubos. O fogão rudimentar produz uma pálida, mas poderosa chama azul.
  • A prisão de Nsinda, ao leste de Kigali, a capital de Ruanda. Foto: Graham Holliday
    O biogás gerado atende 75% das necessidades energéticas do presídio. O centro de denteção de Nsinda registrou uma queda de 85% de seus custos energéticos desde o início do experimento. Ao todo, o uso do biogás gerado por excrementos oferece uma economia equivalente a US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 3,1 milhões). Foto e textos: Graham Holliday

Combustível de cocô

Ruanda está realizando um experimento inovador em suas penitenciárias.

O país conta com 14 grandes prisões e, a fim de economizar recursos energéticos, resolveu fazer com que as fezes produzidas pelos presidiários sirvam como fonte para o biogás usado nas cozinhas dos centros de detenção.

Os excrementos são mesclados com fezes de vaca, armazenados dentro de câmaras e depois transformados em um biogás que é alimentado por meio de um sistema de tubulação desenvolvido pelos próprios presidiários.

A estimativa é de que, se bem-sucedido, o projeto possa propiciar um corte de gastos equivalente a US$ 1,7 milhão (cerca de R$ 3,1 milhões).

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