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Uma visão da China: Os anos dourados para os Brics ainda estão por vir

Atualizado em  30 de novembro, 2011 - 06:19 (Brasília) 08:19 GMT
Bandeira chinesa (AP)

Para especialista, China precisa cooperar mais com Brics, assim como grupo precisa dos chineses

Passaram-se dez anos desde o surgimento do conceito de Brics, um período muito curto se comparado com a história da humanidade como um todo. No entanto, a economia e a política mundiais passaram por um tremendo passeio de montanha-russa nesse tempo.

As velhas economias desenvolvidas estão agora perturbadas por crises e estão perdendo seu brilho. Enquanto isso, as nações do grupo Brics estão se desenvolvendo rapidamente e fornecendo grandes contribuições para a economia mundial. Com a formação da nova ordem internacional, os Brics se tornarão uma importante força emergente para ser considerada.

Frota combinada

Desde o início do século 21, os potenciais conflitos que borbulhavam por muitos anos se tornaram mais visíveis, e as crises que assolam a situação econômica e política mundial estão ficando mais sérias.

Embora nenhuma guerra em escala mundial tenha sido deflagrada, os conflitos militares regionais nunca pararam. Seguindo-se à tempestade financeira da Ásia, uma crise financeira global foi iniciada pelo distúrbio do subprime dos EUA. Enquanto as pessoas ainda esperam que a crise financeira tenha um fim, a crise da dívida europeia começa a se espalhar.

Enquanto o mundo enfrentava dificuldades políticas e econômicas, os países emergentes Brasil, Rússia, Índia e China - com seus recursos especiais e vantagens de população e mercado - aproveitaram a oportunidade e intensificaram imensamente os seus respectivos poderes nacionais.

Os quatro integrantes do grupo Bric - Brasil, Rússia, Índia e China - eram como uma frota combinada navegando pelos continentes. Depois que a África do Sul uniu-se ao grupo, os Brics estenderam a sua influência.

Uma década de desenvolvimento

A China precisa intensificar a cooperação com o grupo dos Brics, assim como o grupo precisa da participação chinesa.

A política de reformas que a China adotou nos últimos 30 anos permitiu ao país modificar-se a ponto de ficar irreconhecível - a China do século 21 é completamente diferente da China de 30 anos atrás. Nos últimos dez anos em particular, a China atingiu o que países desenvolvidos atingiram em várias décadas, ou até mesmo séculos.

O PIB da China cresceu de menos de 10 trilhões para quase 40 trilhões de yuans, pulando da 6ª para a 2ª posição no ranking mundial. O seu comércio exterior foi de menos de US$ 500 bilhões para quase US$ 3 trilhões, também chegando a segundo lugar no mundo.

O que é mais importante, a China se transformou de um país que tinha de importar capital, tecnologia e know-how em uma nação que exporta capital e manufaturas, fortalecendo ainda mais a influência do país na arena internacional.

Desafios para a China

Reunião de cúpula dos Brics durante encontro do G20 (Reuters)

Fubin diz que emergentes aproveitaram instabilidade dos países ricos e ganharam importância

No entanto, a China também enfrenta dificuldades no seu desenvolvimento: a apreciação do yuan tem sido muito acelerada, prejudicando as nossas exportações; a dependência das importações de petróleo é muito grande, e a população é imensa.

Existe o problema estrutural de encontrar as pessoas certas para os empregos certos, e a pressão do desemprego é forte. O aumento nos preços da habitação se soma à inflação alta, e o mercado de ações é volátil. O desafio ambiental também é sério.

Nós acreditamos que a China é capaz de resolver estes problemas. Nós temos vantagens especiais, tais como ricos recursos humanos de qualidade crescente, raros recursos naturais e de alta tecnologia e um grande mercado consumidor interno.

Além do mais, a China tem continuamente adotado uma política externa de benefícios mútuos, e mantido uma boa cooperação econômica e política com outros países, incluindo países desenvolvidos e, particularmente, com seus vizinhos. A influência da China no mundo está se fortalecendo, e o papel do país no grupo dos Brics está aumentando.

Boas perspectivas

Outros países do grupo dos Brics também estão obtendo rápido progresso. O crescimento anual do PIB da Índia é maior que 6,5%. A Rússia está acordando depois de um período de "choque". O PIB do Brasil está liderando a América do Sul, e depois que a África do Sul uniu-se ao grupo, o grupo ganhou mais representatividade global.

Nos Brics estão 42% da população do planeta e 30% dos seus territórios. Espera-se que, em 2015, o PIB dos Brics chegue a 22% do PIB mundial.

Com o desenvolvimento de seu poderio econômico, os Brics estão destinados a exercer um papel cada vez maior no cenário internacional.

* Professor da Academia Chinesa de Ciências Sociais e diretor do Instituto Chinês para a Pesquisa Econômica do Carvão, da Universidade Central de Finanças e Economia (China).

  • Em 2001, importantes temas econômicos foram discutidos na reunião do G7: Canadá, Grã-Bretanha, EUA, Itália, França, Japão e Alemanha (O ministro das Finanças da Bélgica também foi convidado).

  • Naquele ano, o economista Jim O´Neil cunhou o termo Brics, uma abreviação para Brasil, Rússia, Índia e China, afirmando que estes países deveriam ter maior voz.

  • Crescimento do PIB nos Brics e no G7, 1990 - 2010

    Clicável

    PIB - Crescimento anual %

    Fonte: Banco Mundial

    1990 92 94 96 98 2000 02 04 06 08 2010
    16 14 12 10 8 6 4 2 0 -2 -4 -6 -8 -10 -12 -14 -16

    O'Neil disse que as economias dos Brics cresciam muito mais rapidamente do que as do G7, portanto os países dos Brics deveriam estar presente nas principais negociações econômicas.

  • Dez anos depois, os países dos Bric estão sólidos entre as maiores economias. A China em particular vem subindo posições e, possivelmente, disputará o primeiro lugar em alguns anos.

  • PIB per capita 1990 - 2010

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    PIB per capita (milhares de dólares)

    Fonte: Banco Mundial

    1990 92 94 96 98 2000 02 04 06 08 2010
    50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0

    No entanto, os Brics ainda estão atrás em algumas áreas. Representando 40% da população mundial, eles estão atrás em termos de renda per capita.

  • Os países dos BRICs também possuem desigualdades econômicas. A expectativa de vida é significativamente mais baixa do que no G7.

  • Hoje, os principais temas econômicos são discutidos pelo G20 em vez do G7. Os velhos países do G7 esperam que os ricos Brics possam financiar suas recuperações ao comprar seus produtos e suas dívidas.

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