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Após pressão, militares prometem ‘governo de salvação’ no Egito

Atualizado em  22 de novembro, 2011 - 15:54 (Brasília) 17:54 GMT
Protestos contra a junta militar egípcia, nesta terça, no Cairo (Reuters)

Junta militar fez concessões a manifestantes (foto), mas muitos a acusam de se aferrar ao poder

A junta militar que controla o poder no Egito concordou nesta terça-feira em formar um "governo de salvação nacional" e aceitou agilizar o processo eleitoral do país, segundo relatos.

As medidas se seguem a três dias de violentos protestos na Praça Tahrir, no Cairo, onde manifestantes vinham criticando os militares por supostamente se apegar ao poder e pela lentidão na transição para um governo civil.

Em reuniões realizadas nesta terça, grupos políticos e militares decidiram que as eleições parlamentares, agendadas para a partir da semana que vem, serão mantidas.

As eleições presidenciais devem ocorrer até junho de 2012 – essa era uma das principais demandas dos manifestantes egípcios.

Os pleitos têm como objetivo colocar em andamento o processo de transição à democracia esperado após a derrubada do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro.

Mas muitos egípcios temem que os militares continuem concentrando grande parte do poder, independentemente do resultado das urnas.

Ao mesmo tempo, ao concordar em agilizar as eleições presidenciais, a junta militar faz uma considerável concessão aos manifestantes.

Ainda nesta terça, é esperado um discurso do chefe do Conselho Militar das Forças Armadas, Mohamed Hussein Tantawi, segundo informaram emissoras de TV no Egito.

Dilema egípcio

Ativistas haviam convocado para esta terça uma passeata na Praça Tahrir, para pressionar a junta militar no poder.

Manifestante ferido nos arredores da Praça Tahrir, nesta terça

Recente onda de protestos deixou mais de 30 mortos e centenas de feridos

Dezenas de milhares de pessoas permanecem na praça, centro dos protestos antigoverno e palco de violentos confrontos entre manifestantes e forças de segurança desde sábado, que deixaram mais de 30 pessoas mortas e centenas de feridos.

Testemunhas dizem que muitos manifestantes parecem rejeitar as recentes concessões do governo, gritando o slogan: "Não vamos sair, ele (Tantawi) vai sair".

Os distúrbios atuais evidenciam o dilema sobre o futuro político do Egito, dividido entre os que apoiam a junta militar no poder e os que exigem uma transição mais veloz a um governo civil.

O editor para Oriente Médio da BBC, Jermy Bowen, explica que a atual crise vinha sendo fomentada há meses e gira em torno de uma questão: quem terá a palavra final no novo modelo governamental do país – o povo, via políticos eleitos, ou os generais?

Desde a derrubada da monarquia, em 1952, as Forças Armadas têm estado por trás de todos os governos do país, e controlam estimados 20% a 40% da economia.

O próprio Exército pressionou pela renúncia de Mubarak quando percebeu que este havia perdido apoio popular. Desde então, a maior autoridade do país é o Conselho Supremo das Forças Armadas, agora questionada pelos manifestantes.

Os atuais protestos no Cairo não têm sido tão grandes quanto os que derrubaram Mubarak, em fevereiro, mas estão tendo um forte impacto nas instituições governamentais – tanto que renunciou, nesta segunda-feira, o gabinete provisório do premiê Essam Sharaf, que havia sido nomeado pelos militares. A renúncia foi aceita nesta terça.

Além dos recentes confrontos na Praça Tahrir, há relatos de violência também em outras partes do país. Duas pessoas morreram na cidade portuária de Ismalia, no Canal de Suez, após enfrentamentos entre as forças de segurança e um grupo de 4 mil manifestantes, segundo testemunhas.

Confrontos entre manifestantes e forças de segurança nos arredores da Praça Tahrir, nesta terça (Reuters)

Violência chegou a colocar em dúvida a realização de eleição, marcada para a semana que vem

'Falhou completamente'

Em relatório publicado nesta terça, a ONG Anistia Internacional disse que a junta militar egípcia "falhou completamente em cumprir suas promessas aos egípcios, de melhoras (no cumprimento de) direitos humanos".

A Anistia diz que o atual governo manteve muitas das práticas abusivas atribuídas ao regime de Mubarak, como tortura de presos políticos e veto à imprensa crítica.

Em contrapartida, o analista Sameh Saif al-Yazal, chefe do Instituto de Estudos de Segurança no Egito, disse à BBC que a maioria silenciosa dos egípcios ainda apoia a junta militar.

"Somos uma nação de 85 milhões. Vemos alguns milhares liderando esse tipo de agressão. A maioria (da população) deseja mais respeito para o governo e a força policial", opina, alegando que os militares "não têm a ambição de se manter no poder".

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