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Missão brasileira no Líbano é ‘momento histórico’, diz comandante

Atualizado em  14 de novembro, 2011 - 16:30 (Brasília) 18:30 GMT
Fragata brasileira / Tariq Saleh - BBC Brasil

Essa é a primeira vez que militares brasileiros participam da frota de uma força de paz.

A fragata da Marinha brasileira que liderará a frota das forças navais da Força Interina da ONU no Líbano (Unifil, na sigla em inglês) atracou nesta segunda-feira no porto de Beirute, dando início a um "momento histórico para o Brasil", segundo o contra-almirante brasileiro Luiz Henrique Caroli.

Em entrevista à BBC Brasil a bordo do navio, Caroli disse que a presença na força marítima da ONU é crucial para o Brasil pela importância da região no cenário internacional, além de demonstrar a confiança da organização na competência dos militares brasileiros nesse tipo de operação.

"Toda a tripulação sabe da enorme responsabilidade em fazer parte de uma força de paz da ONU e do momento histórico para o Brasil em estar aqui", disse o contra-almirante, que é o comandante da Força Tarefa Marítima (MTF, na sigla em inglês), a unidade marítima da Unifil.

Essa é a primeira vez que militares brasileiros participam da frota de uma força de paz. Equipada com helicóptero e levando 243 militares brasileiros, a fragata União será o principal navio de uma frota internacional que conta ainda com três navios alemães, dois de Bangladesh, um grego, um turco e um da Indonésia.

Maior alcance

O comandante do navio, o capitão de fragata Ricardo Fernandes Gomes, também reforçou que a tripulação está ciente "das repercussões políticas em torno da Unifil e das consequências de suas ações".

"Todos estão motivados e cientes das exigências de fazer parte das forças de paz em uma região conturbada como o Oriente Médio", disse. "Para isso, a Marinha está nos dando todo o apoio financeiro e logístico para que desempenharmos um papel a altura."

Contra-almirante brasileiro Luiz Henrique Caroli / Tariq Saleh - BBC Brasil

Para Caroli, operação mostra a confiança da ONU na competência dos militares brasileiros

Os dois militares explicaram que a incorporação da fragata União aumentará o poder de alcance da frota da Unifil, já que a fragata tem mais recursos, permitindo um maior alcance e cobertura, além de mais flexibilidade nas operações.

Para fazer parte da Unifil, os militares brasileiros passaram por treinamentos voltados para situações específicas de forças de paz e por cursos e palestras.

"Um terço da tripulação fez estágios de operações de paz da Unifil. E militares brasileiros que estavam no Líbano palestraram para nossos marinheiros sobre o país e a vida entre as tropas de paz", afirmou Gomes.

Ele explicou que simulações de abordagem pacíficas de embarcações e o uso de força para fazer as vistorias também foram feitas, com o emprego de mergulhadores das operações especiais que agora integram a fragata.

Voluntários

Como a ONU exige que militares das forças de paz sejam voluntários, a tripulação teve de passar por algumas reposições, segundo Gomes.

"Toda a tripulação sabe da enorme responsabilidade em fazer parte de uma força de paz da ONU e do momento histórico para o Brasil em estar aqui."

Contra-almirante brasileiro Luiz Henrique Caroli

"Cerca 5% da tripulação não se voluntariou por motivos familiares, e outros 10% foram liberados para que realizassem cursos que já estavam agendados."

A missão brasileira, de oito meses, começou oficialmente em fevereiro, quando Caroli assumiu o comando da unidade marítima da Unifil.

Atualmente, a missão monitora a fronteira entre Líbano e Israel e ajuda o governo libanês a evitar a entrada de armas ilegais no restante de suas fronteiras.

A MTF patrulha águas da costa libanesa para evitar a violação do embargo de armas imposto ao Líbano, além de treinar a Marinha do país. A força foi criada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU em 2006.

A Unifil, criada em 1978 para supervisionar a retirada das tropas de Israel do território do Líbano após a crise entre os dois países, conta atualmente com mais de 12 mil militares de 37 países.

Orgulho nacional

Segundo o embaixador brasileiro no Líbano, Paulo Roberto Tarrisse da Fontoura, a relação bilateral entre Brasil e Líbano também se fortalecerá com a presença da fragata.

"O governo libanês tem enorme simpatia pelo Brasil e sabem que nós temos a competência necessária para fazermos um bom trabalho”.

Segundo Fontoura, o governo brasileiro tem ciente o fato de que a Unifil é instrumento fundamental para que o Estado libanês adquira sua soberania sobre seu território.

"O país passou por guerra civil, ocupações israelense até o ano 2000 e da Síria até 2005. O sul do país ficou inacessível aos libaneses e o governo por muito tempo. A Unifil está sendo de suma importância para ajudar o Líbano a ter sua soberania”, salientou o embaixador.

"A presença de um navio brasileiro e a ampliação de nossa presença é, certamente, um orgulho nacional e algo de enorme importância para o Brasil".

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