UE reduz drasticamente previsão de crescimento e alerta para risco de nova recessão

Atualizado em  10 de novembro, 2011 - 10:16 (Brasília) 12:16 GMT
Produção de carros

Europa vai crescer mais lentamente e pode até entrar em recessão, segundo Comissão

A União Europeia cortou drasticamente suas previsões de crescimento para os países da zona do euro no próximo ano – de 1,8% para 0,5%.

O vice-presidente para assuntos econômicos e monetários da Comissão Europeia, Olli Rehn, alertou nesta quinta-feira que "a economia parou de crescer na região", e que existe agora o risco de uma nova recessão na zona, que é formada por 17 países.

A previsão de 1,8% havia sido feita em março. Economistas temem que a Europa possa voltar a entrar em recessão dois anos depois de começar a se recuperar da última crise financeira global.

Itália

A Comissão Europeia avalia que se não houver mudança nos gastos italianos, a dívida pública do país permanecerá em 120,5% do PIB em 2012.

A falta de crescimento prejudica a Europa em um momento em que o continente tenta lidar com a crise da dívida pública de diversos países. Portugal, Grécia e Irlanda recorreram a empréstimos para conseguir honrar seus compromissos, e agora a Itália está ameaçada de também precisar de um resgate.

A Itália conseguiu levantar 5 bilhões de euros no mercado nesta quinta-feira, mas com juros de 6,087% por um ano. Na quarta-feira, os juros dos títulos de dez anos da Itália ultrapassaram 7%, mas depois caíram para 6,98%.

Analistas acreditam que com juros neste patamar, a Itália não terá condições de pagar a sua dívida e terá de recorrer a ajuda externa.

A diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, alertou que a falta de clareza política na Europa está provocando instabilidade financeira nos mercados.

Nesta quinta-feira, os mercados asiáticos fecharam em queda, em resposta às incertezas europeias. Houve queda nas bolsas do Japão (2,9%), Hong Kong (5,3%) e Coreia do Sul (4,9%).

Às 11h45 na capital britânica (9h23 no horário de Brasília), as bolsas de Frankfurt e de Paris operavam em leve alta. Já a bolsa de Londres registrava queda de 0,39%.

O premiê britânico, David Cameron, disse que os "líderes da zona do euro precisam agir agora" e que "quanto maior for a demora [em agir], maior será o perigo".

Petróleo e euro

Os problemas na Europa também fizeram com que a Agência Internacional de Energia reduzisse a sua previsão de demanda mundial por petróleo.

"A constante ameaça de colapso financeiro amplo decorrente da piora no cenário na Grécia e Itália gerou uma série de manchetes diárias que injetou alto nível de volatilidade", afirmou a agência, em nota.

"Mercados de petróleo estão intrinsecamente ligados à deterioração da situação da dívida europeia, dado o impacto nos mercados financeiros, o maior risco de recessão global e o decorrente potencial de queda da demanda por petróleo."

O euro continuou enfraquecido na quinta-feira, atingindo US$ 1,35 – a cotação mais baixa diante do dólar em um mês. Diante das incertezas, investidores estão se desfazendo dos seus ativos baseados na moeda europeia.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.