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G20 tenta fechar plano para conter crise europeia

Atualizado em  4 de novembro, 2011 - 08:58 (Brasília) 10:58 GMT
Nicolas Sarkozy, Angela Merkel, Barack Obama e David Cameron. Foto: Reuters

Líderes discutem possível aumento do poder de fogo do FMI para ajudar países em crise

Os líderes das 20 principais economias do mundo encerram nesta sexta-feira em Cannes, na França, a cúpula anual do G20, tentando encontrar soluções para a crise das dívidas europeias e para o resgate da Grécia, assuntos que vêm dominando as discussões no balneário desde antes do início oficial da reunião.

Entre as possíveis alternativas discutidas na reunião está a disponibilização de centenas de bilhões de dólares em linhas de crédito pelo FMI, para dar garantias a países em dificuldades para honrar suas dívidas.

Espera-se ainda que o comunicado final do encontro, que deve ser divulgado na tarde desta sexta-feira, traga um compromisso dos países com altos déficits de controlar suas contas e de países com grandes superávits comerciais de estimular seus mercados internos para eliminar os desequilíbrios na economia mundial.

Ainda assim, grande parte da atenção deverá estar voltada à Grécia, onde o premiê George Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento, o que contribui para as incertezas em relação ao plano de resgate do país.

Solução europeia

Vários líderes presentes na cúpula manifestaram a necessidade de uma solução clara e rápida para a crise que vem ameaçando se alastrar pelos países da zona do euro e contaminar a economia global.

Em declarações na noite de quinta-feira, o anfitrião da cúpula, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que a zona do euro precisa apresentar uma solução rápida para garantir o futuro da moeda comum europeia e passar uma mensagem clara de credibilidade para o resto do mundo.

"Se o euro afundar, a Europa afunda", afirmou Sarkozy. Segundo ele, a moeda comum é "a principal garantia de paz no continente.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também destacou na quinta-feira a importância do combate à atual crise para garantir a recuperação econômica mundial. "O mais importante aspecto de nossa tarefa nos próximos dois dias é resolver a crise financeira aqui na Europa", afirmou.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que na manhã desta sexta-feira se reuniu com Angela Merkel, a chanceler (premiê) da Alemanha, maior economia da zona do euro, também se manifestou sobre a crise durante um discurso em uma das sessões de trabalho da cúpula na quinta-feira.

Dilma disse que o Brasil está pronto a contribuir para uma solução à crise europeia, mas cobrou dos líderes da região "liderança, visão clara e rapidez".

O presidente da China, Hu Jintao, afirmou esperar que a Europa consiga encontrar o caminho da recuperação. "A Europa é a maior economia global, e não haverá recuperação econômica global sem a recuperação econômica da Europa", disse.

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Ajuda emergente

Um dos pontos em aberto nas discussões em Cannes é a possibilidade de os grandes países emergentes, como o Brasil ou a China, contribuírem financeiramente para ajudar os países europeus em dificuldades.

Representantes dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) já manifestaram disposição em contribuir por meio do FMI, o que estaria de acordo com o aumento do capital do fundo previsto no rascunho da declaração do G20.

Apesar disso, líderes do grupo também cobraram, como Dilma, que os próprios europeus eliminem suas divergências internas e coloquem em andamento o plano acertado na semana passada pelos países da zona do euro.

"A Europa deve se ajudar a si mesma, e a União Europeia tem tudo para isso hoje - a autoridade política, os recursos financeiros e o apoio de muitos países", afirmou o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev.

O plano anunciado na semana passada previa uma capitalização para os bancos da região, um aumento no capital do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, para ajudar os países em dificuldades, e o corte voluntário de 50% na dívida grega, em troca de mais medidas de austeridade para equilibrar as contas do país.

Mas o anúncio do governo grego de um referendo sobre o plano, no início da semana, provocou pânico nos mercados financeiros e gerou dúvidas sobre a capacidade dos europeus de implementarem o que foi acordado.

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