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Referendo sobre acordo com UE divide o governo da Grécia

Atualizado em  3 de novembro, 2011 - 16:25 (Brasília) 18:25 GMT
George Papandreou. Foto: AFP

Governo de Papandreou ficou dividido, depois que ministros rejeitaram plano de referendo

A convocação de um referendo sobre o acordo fechado pela Grécia com a União Europeia (UE), cujo resultado pode indicar a permanência ou não do país na zona do euro, provocou um divisão no governo grego.

Após defender a decisão no Parlamento nesta quinta-feira, dizendo que o referendo permitirá uma "decisão clara do povo grego", o primeiro-ministro George Papandreou foi contestado por seu ministro das Finanças, Evangelos Venizelos.

O ministro disse que a decisão do referendo deve ser interrompida. Disse ainda que a Grécia precisa fazer tudo o que puder para assegurar a seus parceiros europeus que irá implementar imediatamente o acordo fechado com a União Europeia na última semana.

O acordo prevê fortes ajustes nas contas gregas, assim como a redução de 50% da dívida do país junto a credores privados, fruto de uma longa negociação da União Europeia com os bancos.

A divisão aumenta os temores de que Papandreou tenha de renunciar. A possibilidade foi levantada mais cedo por lideranças políticas gregas.

Papandreou havia declarado que não renunciaria. Durante o discurso, o primeiro-ministro disse que a convocação de eleições neste momento seria uma “catástrofe”, que colocaria a Grécia sob perigo de decretar falência.

Papandreou defendeu, no entanto, que o acordo com a União Europeia seja aprovado pelos cidadãos gregos.

O chefe do governo disse que o único jeito de permanecer na zona do euro será aderindo aos termos do acordo. Papandreou disse ainda que crê na "sabedoria e na maturidade do povo grego".

Divisão

Mais cedo, Venizelos já havia ressaltado que a participação da Grécia na zona do euro é uma conquista histórica e não pode depender de um referendo.

"Se queremos proteger o país precisamos, com unidade nacional e seriedade política, implementar sem demora as decisões tomadas no dia 28 de outubro", afirmou o ministro, através de um comunicado divulgado nesta quinta-feira.

Naquela data, os países da zona do euro concordaram em conceder à Grécia um segundo pacote de ajuda no valor de 130 bilhões de euros. Os bancos privados concordariam em perdoar 50% da dívida grega em seu poder.

Em troca, a Grécia teria de cumprir metas de austeridade que incluiriam o corte de salários e a demissão de funcionários públicos.

O ministro do Desenvolvimento, Michalis Chryssohoidis, que também se rebelou contra o governo, disse que a prioridade do país deve ser supervisionar a ratificação pelo Parlamento do acordo de ajuda fechado com a União Europeia (UE).

Destino na UE

Exercendo pressão sobre o governo grego, a Comissão Europeia disse nesta quinta-feira que os tratados da União Europeia "não preveem a saída da zona do euro sem sair da UE".

Nessa quarta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, decidiram interromper a ajuda financeira à Grécia até o resultado do referendo.

Diversos deputados do partido do governo, o socialista Pasok, pediram que a decisão sobre aceitar ou não os termos de ajuda seja do Parlamento.

A crise grega promete ofuscar o encontro do G20, o grupo dos principais países industrializados e emergentes, que começa nesta quinta-feira em Cannes, na França.

Os líderes da zona do euro queriam apresentar um plano de ação definitivo para solucionar a crise grega, que incluísse o aporte de países emergentes, como a China e o Brasil, para expandir o Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

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