
Crise da Grécia e pânico nos mercados ofuscaram totalmente a cúpula do G20
Um encontro que reúne mais de duas dezenas dos principais líderes mundiais teria tudo para se tornar o centro das atenções globais, mas na reunião de cúpula do G20, iniciada na tarde desta quinta-feira em Cannes, na França, todos os olhos estão voltados para Atenas, na Grécia.
A crise da dívida grega e o pânico nos mercados financeiros após o anúncio de um possível referendo sobre o plano de resgate do país, acordado na semana passada pelos países da zona do euro, ofuscaram totalmente a cúpula, tornada praticamente refém do desenrolar da situação no país.
Nas principais reuniões que anteciparam o encontro, o assunto central foi a crise grega e a possível contaminação do restante das economias europeias pela situação no país, em meio às especulações sobre a possível queda do governo grego após a perda do apoio de sua maioria no Parlamento antes da votação de um voto de desconfiança, marcado para a sexta-feira.
Na noite de quarta-feira, o premiê grego, George Papandreou, cujo país não faz parte individualmente do G20 e que não participaria do encontro em Cannes, foi "convocado" pelo anfitrião do encontro, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a viajar ao balneário para se explicar.
Papandreou ouviu de Sarkozy, da premiê alemã, Angela Merkel, e de representantes do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu, que a Grécia teria de definir se quer ou não continuar na zona do euro.
Eles disseram ainda que o país não receberia o próximo montante de ajuda já acertada, de 8 bilhões de euros, em dezembro, se não aceitasse as condições do plano anunciado na semana passada, que prevê entre outras coisas um corte voluntário de 50% no montante da dívida grega, mas que exige também o aprofundamento das medidas de austeridade.
Ironias
Na sala de imprensa do encontro, os jornalistas gregos eram "caçados" por jornalistas de outros países em busca de informações sobre o país.
Nas TVs espalhadas pela sala, notícias sobre o desenrolar da situação política grega e dos rumores sobre a queda do governo eram quase tão concorridas quanto as imagens da abertura oficial do encontro.
Em rodas de discussão, o que mais se ouvia eram questionamentos sobre o que poderá ocorrer caso Papandreou renuncie, caso sobreviva no cargo e mantenha o referendo ou caso a Grécia opte por deixar o euro.
O dia nublado e chuvoso em Cannes serviu ainda para ironias postadas em redes sociais, com alusões às nuvens negras da crise que pairam sobre a Grécia e sobre o restante da Europa.
Em outro comentário postado no Twitter, a situação foi descrita como um "cavalo de Troia" que chegou a Cannes.



















