
Mantega afirmou que está otimista com medidas europeias para a crise (arquivo/Valter Campanato/ABr)
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira em Paris que está mais otimista em relação às soluções discutidas pelos europeus para tentar resolver a crise das dívidas soberanas e do setor bancário do continente, que ameaçam a economia mundial.
"Eles parecem estar no bom caminho", disse Mantega, após se reunir nesta tarde com o ministro francês das Finanças, François Baroin.
"Existe entre a França e o Brasil uma concordância em relação aos caminhos que estão sendo trilhados e preparados pelos europeus", disse Mantega.
A crise da zona do euro deverá dominar as discussões da reunião dos ministros das Finanças do G20 – grupo que reúne as economias ricas e principais emergentes – nesta sexta-feira e sábado em Paris.
"O ministro francês apresentou algumas soluções importantes que ele vai levar ao G20. Elas me parecem ser eficientes para conduzir bem os problemas, como o da Grécia e das dívidas soberanas, da capitalização dos bancos e o reforço do FMI", declarou Mantega.
"Fiquei mais otimista porque acho que eles estão caminhando para a construção de soluções efetivas", disse o ministro, que não quis detalhar, no entanto, as iniciativas discutidas pelos europeus.
"O mundo espera que nós tenhamos as soluções para os problemas da crise europeia, que já é mais uma crise mundial", afirmou.
Preparação
As propostas discutidas neste final de semana em Paris serão apresentadas na reunião de chefes de Estado e de governo do G20, nos dias 3 e 4 de novembro, em Cannes, no sul da França.
Segundo Mantega, os ministros estão agora "preparando os instrumentos" que deverão estar prontos até a cúpula de líderes em novembro.
Antes disso, há uma importante reunião, no dia 23 de outubro, de líderes europeus, onde são esperadas medidas em relação à crise das dívidas soberanas e da recapitalização dos bancos.
Mantega falou também sobre a proposta de países emergentes, incluindo o Brasil, de reforçar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), tema que será discutido neste sábado em Paris.
"Há um certo consenso que é preciso reforçar o FMI, pelo menos da parte da França e do Brasil. A questão é qual o modelo que será adotado para isso", disse Mantega.
"É importante que diante de uma nova crise mundial, o FMI tenha mais recursos disponíveis que ele poderá utilizar para os países europeus, mas também para os emergentes, que poderão precisar caso a crise se agrave."
"Com medidas eficientes, a crise não vai se agravar e não será necessário utilizar esses recursos. Mas é importante que eles existam, assim como ocorreu em 2008", disse o ministro.
Na época, lembrou Mantega, os recursos do Fundo passaram de US$ 250 bilhões para quase US$ 1 trilhão.
"O que estamos discutindo agora é a forma como esse reforço será feito e o montante", afirmou.



















