
Mantega afirma que ajuda de governos europeus pode evitar crise semelhante a de 2008
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira em Paris que os governos europeus devem socorrer os bancos do continente para evitar uma nova crise financeira mundial, como ocorrida após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em 2008.
Segundo Mantega, a crise do setor bancário europeu é o principal assunto que deverá ser discutido na reunião em Paris, na sexta-feira e no sábado, dos ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 - grupo que reúne as economias avançadas e os principais emergentes.
De acordo com o ministro, a crise dos bancos europeus é mais grave do que se pensava há duas semanas e os outros temas do encontro poderão ficar para segundo plano.
Além de cobrar decisões mais rápidas dos europeus em relação à recapitalização de seus bancos, Mantega afirmou ainda em Paris que a economia brasileira deverá crescer entre 3,5% e 4% neste ano.
Para 2012, a previsão de crescimento do PIB do Brasil é de 5%, disse o ministro.
Dilema e consequências
Mantega declarou que os governos e bancos europeus estão vivendo um "dilema" e "fazendo um jogo de empurra-empurra", onde cada um joga para o outro as medidas que devem ser tomadas para salvar as instituições financeiras.
O ministro afirmou "compreender" a posição dos governos europeus de não quererem assumir sozinhos a conta da recapitalização dos bancos, que seria no final paga pelos contribuintes.
Por outro lado, os bancos europeus, fragilizados com a crise das dívidas soberanas de países da zona euro, afirmam que não têm condições de arcar sozinhos com os recursos necessários para a sua recapitalização, em um cenário econômico deteriorado pela desvalorização de suas ações.
Bancos com fortes níveis de exposição às dívidas soberanas de países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal provocaram uma crise de confiança nos mercados, que afeta a liquidez do sistema financeiro.
"O crédito já se contraiu no cenário europeu. O mercado interbancário (de empréstimos entre bancos) secou. Os fundos americanos já retiraram seu dinheiro da Europa", diz Mantega.
Nesta quinta-feira, o ministro francês das Finanças, François Baroin, declarou que os bancos terão "provavelmente" de aceitar perder mais de 21% de seus investimentos em títulos da dívida grega, montante definido em um acordo em julho e que já é estimado abaixo do necessário para salvar a Grécia da falência.
Mantega defende a ideia de que a crise do setor bancário não pode ser resolvida somente pelo setor privado.
"Se todo o prejuízo for imposto aos bancos, isso poderá criar uma nova crise financeira, com consequências mais graves", afirmou o ministro.
"A responsabilidade última é dos Estados. Até onde eles vão entrar (no capital dos bancos) ou deixar quebrar é problema deles. Eu não deixaria quebrar nenhum banco para não acontecer um novo caso Lehman Brothers", disse Mantega.
Segundo o ministro, os governos e bancos teriam de dividir os problemas do setor.
"Acho correto que se imponha perdas aos bancos. Mas os países europeus vão ter participar da capitalização dos bancos", disse o ministro.
'Situação traumática'
Ele disse esperar que os países europeus consigam superar "essa situação traumática" e que a crise não se aprofunde mais, afetando também os países emergentes.
"Existe a preocupação de que a crise atinja a China, que exportaria menos e compraria menos matérias-primas", disse Mantega.
O ministro da Fazenda afirmou que a atividade econômica brasileira voltará a crescer neste quarto trimestre do ano.
Segundo ele, a desaceleração ocorrida no segundo e terceiro trimestres foram programadas e resultam de medidas adotadas há alguns meses.
"Temos controlado o nível de atividade. O objetivo não era deixar a economia parada e no quarto trimestre ela deverá voltar a acelerar", afirmou.
Mantega não quis, no entanto, dar detalhes sobre o reforço dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para socorrer os países em crise e declarou que o assunto vai ser discutido na reunião em Paris.
O encontro ministerial desta sexta-feira e sábado é o último antes da cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, nos dias 3 e 4 de novembro, em Cannes, no sul da França.



















