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Biocombustíveis e especulação contribuem para fome, diz estudo

Atualizado em  11 de outubro, 2011 - 15:31 (Brasília) 18:31 GMT
Criança na Somália/AFP

Volatilidade dos preços de alimentos atinge duramente os mais pobres

Fatores causados pelo homem, como o uso da agricultura para biocombustíveis e a especulação no preço de alimentos, são determinantes para a fome nas partes mais pobres do mundo, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo centro de pesquisas sediado nos EUA International Food Policy Research Institute.

O estudo diz que a volatilidade nos preços dos alimentos afetou bastante os mais pobres, que não conseguiram se adaptar às mudanças.

A volatilidade seria causada por três fatores principais: o uso de alimentos para a produção de biocombustíveis, eventos meteorológicos extremos e mudanças climáticas, além do o aumento das transações envolvendo produtos agrícolas nos mercados financeiros.

A situação seria agravada por uma diminuição nas reservas mundiais de grãos e por uma dependência dos poucos exportadores de alimentos.

Outro complicador seria a falta de informações disponíveis que evitem reações intempestivas nos mercados quando ocorram variações menores na oferta de alimentos.

Além de reduzir o consumo de calorias entre os mais pobres, a alta de preços leva à escolha de alimentos menos nutritivos, contribuindo para a desnutrição.

Os pesquisadores sugerem a criação de mecanismos de proteção aos mais vulneráveis, além da revisão das políticas de biocombustíveis, regulação das atividades financeiras sobre alimentos e uma melhor adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Índice

O estudo afirma que o chamado Índice Global da Fome (ou GHI, na sigla em inglês) de 2011 vem diminuindo, mas lentamente e permanece em um nível considerado "sério".

O GHI varia bastante entre as regiões do mundo, com os mais altos ocorrendo na África Subsaariana e partes da Ásia. O estudo afirma que 26 países apresentam níveis alarmantes ou extremamente alarmantes.

Entre os seis países em que a fome piorou no documento deste ano, os pesquisadores destacam a situação da República Democrática do Congo, que registrou aumento de 63% do GHI devido ao conflito interno do país e instabilidade política.

Os países que mais progresso realizaram entre 1990 e 2011 foram Angola, Bangladesh, Etiópia, Moçambique, Nicarágua, Níger e Vietnã.

O estudo não computou os efeitos da crise no preço dos alimentos ocorrida entre 2010-11, nem a fome deste ano no chifre da África.

Na segunda-feira, a ONU afirmou que os preços de alimentos devem continuar altos e talvez até aumentar, levando a mais insegurança alimentar ao redor do mundo.

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