BBC navigation

Alemanha diz que Grécia deve continuar na zona do euro

Atualizado em  5 de outubro, 2011 - 13:16 (Brasília) 16:16 GMT
Merkel, em entrevista nesta quarta (AFP)

Merkel diz que Grécia precisa 'receber a oportunidade de se reerguer'

A Grécia não deve sair da zona do euro e precisa de uma chance para sanar suas finanças, disse nesta quarta-feira a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel.

A saída da Grécia – país que enfrenta a mais aguda crise da dívida da zona do euro – da moeda comum tem sido aventada por alguns para dar a Atenas a possibilidade de usar a política cambial (desvalorizando uma moeda própria, por exemplo) para ganhar competitividade externa.

Mas, para a chanceler alemã, "a Grécia tem de continuar no euro e receber a oportunidade de se reerguer”.

“Por isso, o ministro da Economia alemão viajará à Grécia amanhã (quinta-feira) para dizer (aos gregos) que queremos crescimento, não apenas penalizações", afirmou Merkel.

A chanceler disse também que a Alemanha está preparada para, se necessário, recapitalizar bancos que estejam expostos às dívidas dos países em crise (ou seja, que tenham posse de grande quantidade de títulos de países altamente endividados).

O discurso de Merkel foi proferido após reuniões na sede da União Europeia, em Bruxelas, em que os líderes do continente tentam encontrar saídas para a crise do bloco.

Menos austeridade, mais crescimento

Também nesta quarta, relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) orientou as economias mais fortes do continente europeu a evitar duros cortes orçamentários que coíbam o seu crescimento. A recomendação é de que essas economias deveriam focar seus esforços em políticas de expansão econômica.

Medidas assim ajudariam a evitar que a Europa viva uma recessão em 2012 – cenário que não pode ser descartado, afirma o Fundo.

O diretor do FMI para a Europa, Antonio Borges, disse que recomendaria a alguns governos que, em vez de políticas de austeridade, promovam medidas de estímulo.

A orientação foi dada a países como Alemanha, França e Grã-Bretanha, que ainda conseguem obter dinheiro no mercado a taxas de juros baixas. Sendo assim, poderiam "adiar" cortes orçamentários.

Discurso do premiê David Cameron na Grã-Bretanha, porém, foi na direção contrária. Cameron rejeitou nesta quarta pedidos da oposição, que quer que o país reduza o ritmo dos cortes orçamentários e implemente reduções temporárias de impostos, para estimular o crescimento.

"Nosso plano (de cortar gastos) é correto e vai funcionar", disse o premiê.

Cameron também afirmou que a Grã-Bretanha não dará "cheques em branco" para pacotes de resgate a países endividados da zona do euro, alegando que as nações têm de cortar suas despesas e não gastar mais do que arrecadam.

Mercados

Antonio Borges ressaltou que o conselho do FMI de evitar cortes orçamentários não vale para países como Itália ou Espanha – onde altos índices de endividamento provocaram um aumento nas taxas de juros praticadas pelo mercado, diante do temor de que essas economias não sejam capazes de honrar suas dívidas.

Cameron, em discurso nesta quarta

Premiê britânico defendeu cortes orçamentários e rejeitou dar 'cheque em branco' a países do euro

Na última terça-feira, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da Itália, medida que tende a dificultar a obtenção de empréstimos por parte do país nos mercados financeiros.

O rebaixamento da Itália não chegou a abalar os mercados financeiros do continente nesta quarta, e a perspectiva de que os líderes europeus consigam coordenar alguma ação anticrise fez com que as principais bolsas do continente vivessem altas entre 2% e 4%.

Por volta de 13h (horário de Brasília), os índices americanos Nasdaq e Dow Jones também operavam em altas moderadas, e a Bovespa operava a -0,18%.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.