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Cidade holandesa restringe 'turismo da maconha' a belgas e alemães

Atualizado em  30 de setembro, 2011 - 06:48 (Brasília) 09:48 GMT
Coffee shop em Maastricht. (Foto: Gaúcho/Wiki Commons)

'Coffee shops' de Maastrich venderão maconha e haxixe apenas para alemães e belgas

Os proprietários dos coffee shops, cafés que vendem maconha e haxixe em quantidades limitadas, da cidade de Maastricht, no sul da Holanda, decidiram limitar a venda de drogas a turistas. A partir de 1º de outubro, somente os belgas e alemães poderão comprar drogas nesses locais.

A medida segue uma resolução do governo holandês, que vem defendendo a restrição gradual da venda de maconha no país, em particular a turistas de países mais distantes que vão à Holanda apenas para comprar drogas nos coffee shops em cidades fronteiriças.

Maastricht fica próxima da fronteira com a Bélgica e a Alemanha, mas, como explica Marc Josemans, presidente da associação Coffee ShopsOficiais de Maastricht (VOCM, sigla em holandês), o principal alvo da medida são os turistas de países europeus mais distantes, que chegam de carro e "perturbam a ordem do trânsito local e causam desordem e destruição, principalmente nos fins de semana".

A Associação espera diminuir inicialmente em 20% a presença desses turistas. Segundo Josemans, a meta é que 500 mil consumidores de maconha e haxixe de países como França, Luxemburgo, Itália e Espanha "desistam de vir até a Holanda somente para comprar drogas".

"Vamos perder entre 20% e 30% de nossa receita. Mas é a única possibilidade de reduzir o número de consumidores que estão causando desordem no centro da cidade."

"Não descartamos a possibilidade de que os turistas recusados nos coffee shops venham a comprar droga ilegalmente nas esquinas, o que será lamentável, mas desde agosto estamos fazendo panfletagem nos cafés locais e na mídia de países europeus para informar sobre a nova situação", diz.

Dados do Instituto Nacional para a Gerência de Crises e Segurança indicam que Maastricht recebe 10.500 visitantes por dia e cerca de 3,8 milhões por ano. , sem contar outras cidades fronteiriças, como Rosendaal, Bergen op Zoom, Terneuzen e Eindhoven, entre outras, que também alegam ter problemas com turistas em busca de drogas.

Reservas da prefeitura

A medida causa polêmica e a prefeitura de Maastricht acolheu a ideia com reservas, e divulgou nota aberta alertando que há um forte elemento discriminatório em seu conteúdo.

A administração municipal pediu que o Conselho de Cidadãos fique atento para informar eventuais "deslizes" da medida, que vai vigorar em caráter experimental.

A prefeitura de Amsterdã, que possui o maior número de coffee shops do país (em torno de 200), é contra a restrição da presença de turistas nos estabelecimentos, e a redução do número de cafés na cidade.

A administração da capital - juntamente com dois terços das 106 prefeituras de municípios holandeses - declarou que não enfrenta problemas com os coffee shops.

Segundo a Assessoria de Marketing e Turismo de Amsterdã, cerca de 23% dos turistas que visitam a cidade vão a coffee shops experimentar alguma erva disponível no cardápio.

Em 2008, houve o fechamento de alguns locais no centro da capital, no chamado "distrito da luz vermelha", a área com grande concentração de bordéis em Amsterdam, suspeitos de servir de fachada para o crime organizado.

Outro motivo foi a proximidade dos coffee shops a escolas secundárias. A lei exige que eles sejam mantidos a um mínimo de 250 metros das escolas.

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