Chefe militar dos EUA acusa Paquistão de apoiar ataque a embaixada

Atualizado em  22 de setembro, 2011 - 14:33 (Brasília) 17:33 GMT
Mike Mullen. Getty

As acusações de Mullen são mais uma mostra da deterioração das relações EUA-Paquistão

O mais graduado oficial militar americano, o almirante Mike Mullen, acusou nesta quinta-feira a agência de inteligência do Paquistão de dar apoio ao grupo militante Haqqani, supostamente responsável pelo ataque à embaixada dos Estados Unidos no Afeganistão, na última semana.

Durante audiência no Senado, Mullen, que é chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, disse que "a rede Haqqani atua como um verdadeiro braço da Agência de Inteligência do Paquistão".

O ataque à embaixada e outros prédios oficiais na terça-feira da última semana deixou 25 mortos, entre eles 11 civis, quatro policiais e dez militantes.

O ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik, no entanto, já havia negado declarações parecidas de oficiais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e de diplomatas americanos.

Em entrevista à BBC, Malik disse que o Paquistão está determinado a lutar contra todos os grupos militantes que atuam na fronteira com o Afeganistão.

'Informação consistente'

O almirante Mullen disse aos senadores que com apoio do serviço de inteligência paquistanês, o Haqqani "planejou e conduziu o ataque com um caminhão-bomba".

"Também temos informações consistentes de que eles estiveram por trás dos ataques contra o Hotel Inter-Continental de Cabul em 28 de junho e de uma série de outras operações pequenas, mas efetivas", disse Mullen, que no fim do mês deixa a chefia do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas.

Em julho, o almirante Mullen já havia responsabilizado o governo paquistanês pela morte do jornalista investigativo Saleem Shahzad, o que foi negado por Islamabad.

A rede Haqqani, um aliado do grupo afegão Talebã, é acusada de comandar vários ataques contra alvos ocidentais e também indianos (dada a animosidade entre Índia e Paquistão), bem como contra prédios do governo do Afeganistão.

Autoridades paquistanesas com frequência descrevem a rede Haqqani como um grupo predominantemente afegão. Segundo especialistas, no entanto, a rede tem origem no interior do Paquistão.

As declarações de Mullen são mais uma mostra da deterioração das relações entre Estados Unidos e Paquistão, que ficou aparente durante a morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em território paquistanês. Na época, autoridades americanas acusaram Islamabad de dar apoio aos militantes islâmicos.

Ação no Paquistão

No início deste mês, autoridades em Washington deixaram claro que podem atacar alvos da Haqqani em solo paquistanês se Islamabad não combater os militantes.

Na entrevista à BBC, o ministro do Interior paquistanês disse que seu país tem tomado "ações estritas" contra o grupo.

Segundo Malik, os esforços do governo muitas vezes são frustrados porque nem o Paquistão nem o Afeganistão têm o controle pleno de suas fronteiras.

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