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Brics citam preocupação com crise europeia, mas evitam detalhes sobre ajuda

Atualizado em  22 de setembro, 2011 - 18:50 (Brasília) 21:50 GMT
Ministros das Finanças dos Brics. Reuters

Mantega disse em encontro com os Brics que é preciso conter o contágio da crise europeia

Depois de muita expectativa sobre um suposto plano dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para ajudar os países europeus em crise, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do grupo deixaram uma reunião em Washington nesta quinta-feira sem fornecer detalhes sobre o assunto.

Em um comunicado, os representantes dos cinco países disseram apenas que os Brics "estão abertos a considerar, se necessário, fornecer apoio por meio do FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outras instituições financeiras internacionais para fazer frente aos atuais desafios à estabilidade financeira global, dependendo das circunstâncias em cada país".

Na semana passada, acreditava-se que uma das ideias a ser discutidas pelos Brics seria a compra de títulos da dívida de países europeus, para ajudar a fortalecer esses papeis, em um momento em que a crise de dívida e deficit em diversas economias da zona do euro vem se agravando.

Após a reunião em Washington, porém, os ministros não forneceram indícios de uma eventual ajuda financeira, mas manifestaram preocupação com os problemas na Europa e o agravamento da crise nos últimos meses.

"Temos que impedir que a crise atinja um nível mais grave", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que representou o Brasil no encontro, ao lembrar que agora o "epicentro" dos problemas é a União Europeia.

"Os Brics e outros emergentes não foram afetados ainda nas suas funções vitais. Mas há o risco de a crise da dívida soberana de alguns países, que não está sendo solucionada, se transformar em uma nova crise financeira", afirmou.

Ação rápida

A crise de dívida e deficit em países como a Grécia já contagiou outras economias e vem provocando crescente desconfianças dos mercados sobre toda a zona do euro.

Segundo Mantega, ao contrário de 2008, quando os países do G20 (grupo que reúne as principais economias avançadas e emergentes, entre elas o Brasil) se uniram para combater a crise mundial rapidamente, agora a reação europeia está demorando demais.

O ministro alertou para o risco de que um agravamento da situação contagie os Brics e outras economias emergentes e afete o comércio mundial.

"Acreditamos que isso possa ser evitado, desde que haja uma ação rápida dos países para solucionar a questão, por exemplo, da dívida soberana dos países que estão em negociação, particularmente a Grécia", afirmou.

Os Brics recomendam o fortalecimento do G20 e do papel do FMI, inclusive dando "mais condições financeiras" para que o fundo possa enfrentar um aprofundamento da crise, e voltaram a criticar a demora na redistriubuição de cotas na insttuição, que daria mais voz ao emergentes.

Os ministros também disseram que pretendem ampliar a integração entre os Brics, aumentando a atividade comercial e financeira entre os países.

"Nós estamos combinando que devemos intensificar o comércio entre nós", disse Mantega.

"Eliminar eventuais barreiras comerciais que possam existir, facilitar o comércio, o financiamento do comércio, e trocas em moedas locais, que já começaram a acontecer."

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