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Agência rebaixa classificação e eleva pressão sobre bancos franceses

Atualizado em  14 de setembro, 2011 - 10:31 (Brasília) 13:31 GMT
Agências dos bancos Société Générale, Crédit Agricole e BNP Paribas em Rennes (AFP)

Moody's alegou que bancos estão muito expostos à dívida grega

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou nesta quarta a classificação de dois bancos franceses, após revisar a exposição deles à dívida grega.

O banco Crédit Agricole teve a nota reduzida de Aa1 para Aa2, e o Société Générale, de Aa2 para Aa3. O BNP Paribas foi mantido em status de revisão e também pode ser rebaixado.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, têm agendada conversa nesta quarta com o premiê grego, George Papandreou, em meio aos crescentes temores do mercado por uma eventual moratória iminente da Grécia.

Ao mesmo tempo, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, tenta levar adiante uma proposta para que os 17 países da zona do euro financiem conjuntamente a sua dívida, por meio de títulos chamados eurobonds.

Esses títulos seriam garantidos conjuntamente pelos países do euro e tenderiam a reduzir os custos dos empréstimos tomados por países endividados, como a Grécia.

Para Barroso, se o problema da dívida na zona do euro não for resolvido, as consequências serão desastrosas – ele descreveu o cenário como a maior crise da atual geração na Europa e afirmou que a situação só será resolvida com mais integração regional.

Mas a ideia enfrenta oposição dentro da própria UE. A Alemanha, por exemplo, rejeita o eurobond alegando que ele "não faz sentido" atualmente, já que os países-membros da UE conduzem suas políticas econômicas individualmente, e não em conjunto.

José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, em foto de arquivo

Barroso defende emissão de títulos conjuntos da zona do euro

Berlim também alega que a introdução de títulos europeus no mercado poderia diminuir o esforço de países altamente endividados em controlar seus orçamentos.

'Pequeno rebaixamento'

Após anunciar a redução das notas dos bancos franceses, a Moody's disse que planeja também estender sua revisão dos três bancos citados, o que pode resultar em novos rebaixamentos.

Tanto o BNP Paribas quanto o Société Générale emitiram comunicados recentes para esclarecer seu grau de exposição às dívidas da Grécia e de outros países europeus e aliviar a pressão do mercado.

A Moody’s admitiu que os bancos têm capital suficiente para prover "um colchão adequado para apoiar sua exposição (ao endividamento) de Grécia, Portugal e Irlanda", mas agregou que rebaixaria o Société Générale por este não se beneficiar mais do mesmo nível de apoio do governo francês.

O presidente do banco central francês, Christian Noyer, relativizou a ação da Moody’s, dizendo que "foi um rebaixamento muito pequeno".

No entanto, o anúncio da agência de classificação deve elevar a pressão sobre os bancos franceses, ao afugentar investidores.

Papandreou, Merkel e Sarkozy em foto de arquivo

Papandreou, Merkel e Sarkozy (em foto de arquivo) devem se reunir para falar da dívida grega

Os preços das ações do Crédit Agricole e do Société Générale caíram em cerca de 60% desde fevereiro; os papéis do BNP Paribas tiveram seu valor reduzido pela metade.

Nesta quarta, os mercados financeiros europeus enfrentaram quedas por conta do rebaixamento da Moody’s, mas recuperavam as perdas após o anúncio de Barroso relacionado ao eurobond.

Em resposta à Moody’s, o Société Générale e o BNP Paribas anunciaram a venda de ativos, para reduzir sua exposição total.

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