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Plano fiscal dos EUA terá efeito limitado, diz FMI

Atualizado em  14 de setembro, 2011 - 15:50 (Brasília) 18:50 GMT

Maior economia do mundo enfrenta um deficit recorde no orçamento

Em seu mais recente relatório sobre a economia global, o FMI (Fundo Monetário Internacional) disse nesta quarta-feira que os planos de ajuste fiscal do governo americano não serão suficientes para reduzir o deficit em conta corrente do país.

A maior economia do mundo enfrenta um deficit recorde no orçamento e uma batalha política sobre medidas para solucionar o problema.

No início de agosto, após várias semanas de impasse, o Congresso americano aprovou um pacote que prevê cortar os gastos em US$ 917 bilhões (cerca de R$ 1,58 trilhão) em uma década. Mas governo e Congresso ainda precisam definir como vão cortar outros cerca de US$ 1,5 trilhão.

No entanto, em um capítulo do World Economic Outlook (“Perspectivas da Economia Mundial”, em tradução livre) antecipado nesta quarta-feira, o FMI diz que “a magnitude relativamente pequena” das medidas permanentes de consolidação fiscal contempladas pelo governo americano sugere que “contribuirão pouco” para reduzir o deficit em conta corrente do país.

A íntegra do relatório será divulgada na próxima semana, durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, em Washington.

Mudanças

No capítulo já antecipado, o FMI analisa as mudanças na política fiscal em diversas economias avançadas nos últimos 30 anos e conclui que, de modo geral, reduzir o deficit orçamentário em 1% do PIB (Produto Interno Bruto) melhora o balanço em conta corrente em mais de 0,5% do PIB dentro de um período de dois anos.

FMI divulgará relatório completo sobre a economia global durante reunião com o Banco Mundial

Essa melhora é mantida no médio prazo, diz o documento, e se traduz não apenas em menos importações, devido à queda na demanda doméstica, mas também no aumento das exportações, resultante de uma moeda mais fraca.

No entanto, no caso de economias em que a política monetária está restrita, como os Estados Unidos ou o Japão, onde as taxas de juros já estão próximas de zero, e também no caso da zona do euro, que integra uma união monetária, o ajuste de conta corrente é “mais doloroso”, diz o documento.

Segundo o FMI, entre os impactos dolorosos está uma “compressão mais forte de salários e preços domésticos".

Os Estados Unidos registram uma lenta recuperação após a crise econômica mundial, e recentemente vêm crescendo o temor de que o país possa mergulhar em uma nova recessão.

Além do deficit recorde, o país enfrenta uma taxa de desemprego considerada muito alta pelo próprio governo, de 9,1% em agosto, patamar que se mantém quase inalterado há cerca de dois anos.

Dados divulgados na terça-feira pelo escritório responsável pelo censo do país revelam que o número de americanos vivendo na pobreza chegou ao recorde de 46,2 milhões de pessoas no ano passado.

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