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Bancos veem 'contribuição significativa' dos Brics à zona do euro

Atualizado em  14 de setembro, 2011 - 19:52 (Brasília) 22:52 GMT
Moedas de euro. Foto: AP

Para diretor do IIF, emergentes são cruciais para encontrar soluções para problemas globais

A entidade que reúne os grandes bancos e instituições financeiras globais disse nesta quarta-feira que o Brasil e os outros países que integram os Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul) podem dar uma "contribuição significativa" às economias em crise na zona do euro.

A possibilidade de ajuda será discutida em um encontro de ministros de Finanças dos Brics na próxima semana, em Washington, durante a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.

"Acho bem-vinda a iniciativa do Brasil e dos outros países dos Brics de se reunirem para discutir essas questões", disse o diretor-gerente do Instituto de Financas Internacionais (IIF, sigla em inglês), Charles Dallara, em entrevista coletiva em Washington.

"É um sinal de que os grandes mercados emergentes, sejam os Brics ou um grupo maior de países, são parte crucial da economia mundial, e suas vozes e sua força financeira e econômica serão cruciais para encontrar soluções para os problemas globais", afirmou o diretor do IIF – que reúne 449 instituições financeiras em mais de 70 países.

A realização da reunião dos Brics foi antecipada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os ministros devem discutir a compra de títulos da dívida de países europeus, para ajudar a fortalecer esses papeis, em um momento em que a crise de dívida e déficit em diversas economias da zona do euro vem se agravando e deteriorando a credibilidade da região credibilidade nos mercados internacionais.

Críticas

Em uma carta enviada aos ministros e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne as principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) que participam da reunião em Washington na próxima semana, o diretor-gerente do IIF criticou a condução da crise na zona do euro.

Dallara diz que os pontos fortes da zona do euro – definida por ele como "uma região econômica forte, com um déficit fiscal agregado de apenas 4,4% do PIB (Produto Interno Bruto)" – estão sendo prejudicados "pelo espírito provinciano e pelo nacionalismo demonstrados em algumas instâncias".

O texto também critica "a falta de determinação de líderes nacionais em determinados casos para enfrentar os problemas fiscais com determinação e a falta de infra-estrutura institucional na área do euro para facilitar a tomada de decisões de forma coerente e integrada".

"Os grandes mercados emergentes (...) são parte crucial da economia mundial, e suas vozes e sua força financeira e econômica serão cruciais para encontrar soluções para os problemas globais."

Charles Dallara, diretor-gerente do IIF

Nesta quarta-feira, em mais um sinal do agravamento da crise, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou a classificação de dois bancos franceses após revisar sua exposição à dívida grega.

Diante do problema, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, vem defendendo que os 17 países da zona do euro financiem conjuntamente sua dívida por meio de títulos denominados eurobonds.

A proposta é que esses títulos sejam garantidos de forma conjunta pelos países da zona do euro, o que reduziria os custos dos empréstimos para países endividados, como a Grécia.

G20

Na carta do IIF também sobram críticas ao resultado considerado tímido dos esforços de coordenação global das políticas adotadas pelos países, iniciado pelo G20 após a crise econômica mundial.

"O grande esforço por uma coordenação global, evidenciado na cúpula do G20 realizada em Londres em 2009, precisa urgentemente de renovação", diz.

Dallara afirma que esse processo de coordenação "provou-se amplamente ineficaz" e cita o fato de vários países resistirem a pressões sobre suas moedas.

Nos últimos anos, a política adotada por algumas economias com o objetivo de manter suas moedas desvalorizadas artificialmente – o que torna suas exportações mais baratas e competitivas e provoca um efeito negativo sobre países com moedas mais valorizadas – ficou conhecida como "guerra cambial".

Diversos países criticam principalmente os Estados Unidos, que adotou uma política de expansão monetária para combater o baixo ritmo de crescimento, e a China, acusada de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada.

Segundo o IIF, é necessário estabelecer novas regras para o jogo, com padrões mais simples e transparentes para a formulação e implementação de políticas econômicas entre os países.

"Para que mesmo as maiores economias, incluindo os Estados Unidos e a China, operem dentro de padrões de disciplina e responsabilidade e de um grupo coerente de objetivos estabelecidos globalmente".

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