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Para Nobel da Economia, crescimento acelerado traz riscos para o Brasil

Atualizado em  31 de agosto, 2011 - 21:01 (Brasília) 00:01 GMT
Robert Engle. Foto: SSC Liaison/Creative Commons

Para Engle, Brasil é um 'grande milagre' da última década (Foto: SSC Liaison/Creative Commons)

Vencedor do Nobel da Economia, o americano Robert Engle considera o Brasil “uma das nações milagrosas da última década”, mas vê risco de que o crescimento acelerado do país não seja acompanhado por suas instituições.

“Há um risco de que as coisas estejam acontecendo muito rápido, e que a infraestrutura e as instituições não consigam acompanhar (esse ritmo)”, afirmou Engle, professor de finanças na New York University Stern School of Business e vencedor do Prêmio Nobel em 2003, durante uma visita ao Rio.

“Acho que esse é um desafio contínuo, e que investidores, empresários, reguladores, instituições financeiras devem se manter um pouco conservador porque o risco existe e ninguém quer ser pego se as coisas caírem.”

Para Engle, o Brasil é um dos “grandes exemplos” de progresso, no cenário global, em lugares onde “não se esperava” ver crescimento e riqueza uma década atrás.

Riscos maiores

Em palestra na Escola de Pós-Graduação em Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Engle apresentou o sistema que vem desenvolvendo para calcular o risco potencial representado por diferentes instituições financeiras à economia dos países.

Nos Estados Unidos, Engle tem usado o sistema para analisar tanto o panorama atual como aquele apresentado antes da crise financeira que estourou em outubro de 2008. E afirma que a situação de hoje não inspira mais confiança:

“De acordo com os nossos números, os riscos hoje são maiores do que eram antes da crise financeira bater. A alavancagem não se reduziu ao nível que estava naquela época”, afirma.

Segundo Engle, os bancos americanos continuam se endividando além do patrimônio que têm, e a situação se agrava com problemas no cenário político.

“A política econômica está sendo muito dificultada pelo processo político. Muitas partes do partido republicano, sobretudo, acham que, quanto pior estiver a economia, melhor será seu desempenho nas próximas eleições. Essa é uma receita para a falta de acordos.”

Touro e salsa

Durante a palestra, ele usou duas fotomontagens para ilustrar possíveis resultados da situação atual. Na primeira, a estátua do touro de Wall Street estava caída, abatida sobre a calçada.

Na segunda, Barack Obama e Sarah Palin eram parceiros de uma salsa animada, suas cabeças sorridentes coladas aos corpos de dançarinos de belos corpos.

“Será que conseguiremos solucionar esse problema, e ver Barack Obama dançando com Sarah Palin?”

Candidata a vice-presidente em 2008, Palin é hoje uma das figuras à frente da Tea Party, movimento político conservador que faz oposição veemente a Obama, como se viu por exemplo nas negociações no Congresso pelo aumento do teto da dívida pública americana, concluídas às pressas no início de agosto.

Em contrapartida, Engle afirmou que o Brasil está em vantagem por praticar uma regulação robusta, “se não até protegida”, das instituições financeiras.

No atual cenário de fluxo de divisas para países emergentes, instituições financeiras de países como o Brasil tendem a expandir o crédito e emprestar mais do que têm, algo que a regulação deve conter, afirma.

Para Engle, o país deve estar preparado para o caso de haver uma valorização ainda melhor do real. “Quanto mais a economia cresce, maior a almofada que você deve ter para o caso de queda.”

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