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Lucas Mendes: Rick, texano Perrygoso

Atualizado em  18 de agosto, 2011 - 12:48 (Brasília) 15:48 GMT

O Texas é o maior, é o melhor, é o mais! O Estado é campeão em petróleo, em número de fazendas, em gado, carneiros, cabritos, algodão, melancia, espinafre, couro e bravatas. O prédio do legislativo é quase dois metros mais alto do que o do Congresso em Washington e não é por acaso.

Há livros sobre os superlativos e a bravataria do Texas. Até mesmo quando o Estado está na fossa, como na década de 80, faz questão de ser campeão.

A safra de piadas sobre donos de petróleo é preciosa. Quando um deles, transformado em sapo, pediu um beijo de uma fada para voltar a ser gente a fada respondeu: No Texas sapo que fala vale mais que dono de petróleo e botou o sapo na bolsa. Que o nosso Eike Batista não vire sapo.

Agora é recodista numa seca de 60 anos e tem um candidato à presidência que acha seu Estado um modelo nacional.

Rick Perry, diferente de Bush no berço e na carreira política, é um texano genuíno. Está no seu terceiro mandato. Nenhum outro governador americano tem tanto tempo no governo e na história do Texas, nenhum serviu tantos anos.

E a bio dele é boa. O tetravô lutou na guerra civil pelos confederados. O pai, democrata fervoroso, lutou na Segunda Guerra Mundial e depois foi um modesto fazendeiro em Paint Creek, uma comunidade com menos de 2 mil habitantes que não está no mapa. Fica a 70 quilômentros de Abiline e quando Rick era estudante a escola tinha 210 alunos e o lema visionário: "Nenhum sonho é tão grande para uma escola tao pequena”.

Hoje o líder do time de futebol e dos estudantes quer, e acha que pode, liderar o país.

Ele usava calças Levi’s, mas as cuecas e camisas eram feitas pela mãe, ainda excelente costureira, conta o governador num de seus dois livros.

Rick Perry é um bravateiro, mas os números e a sorte estão com ele.

Se elegeu deputado várias vezes pelo Partido Democrata mas se tornou republicano para disputar o posto de Comissário da Agricultura, importante no Texas.

Paint Creek se sentiu traída, não votou mais nele, mas Rick ganhou, e em 98 foi convidado para ser o vice de George Bush que sempre foi generoso com ele, inclusive depois de presidente.

Quando Bush se afastou para disputar a presidência e Rick assumiu o governo no ano 2000, o barril de petróleo custava US$ 25.

Nos 11anos seguintes, o barril chegou a US$ 147, e hoje está na casa dos US$ 80. Novas técnicas de exploração de petróleo e gás multiplicaram as produções, que contribuem com 40% dos impostos e financiam um quinto do orçamento do Texas, sede da NASA e de várias bases militares que trazem mais de US$ 200 bilhões por ano para o Estado.

Desde a crise, o Texas criou 37% dos empregos no país - é o campeão - e o índice de desemprego está 1 ponto percentual abaixo do nacional.

Há outros bem melhores, inclusive o do principal adversário, Mitt Romney, Massachussetts, mas este é um dos argumentos da campanha de Rick Perry. Para ele o país deve adotar a fórmula que ele aplicou no Texas: Quanto menos governo, impostos e regulamentos, melhor.

Bons números, bela bravata, mas Rick Perry, para não aumentar o imposto predial transformou a educação pública do Estado numa das mais pobres e piores do país, e o Texas em líder nacional em salários baixos e empregos sem benefícios, com o maior número de cidadãos sem seguro de saúde. Negros e latinos, legais e ilegais, estão no degrau mais baixo da escada.

Isto não entra no discuro de campanha, e o texano bate firme. Em menos de três dias de campanha já insultou várias vezes Barak Obama e ameaçou o presidente do Banco Central: "Se for ao Texas, será mal recebido".

Líderes do Partido Republicano se assustaram, alguns ligados a George Bush, de quem ele quer se distanciar, bateram de volta.

Obama foi manso na réplica. Ele deixa bater.

Alem de petróleo e gás, fervor religioso e aversão a Washington são os combustíveis da campanha de Rick Perry, que era Teat Party antes do Tea Party existir, mas esta direita religiosa que ele lidera perde apoio nas pesquisas. O índice de rejeição a ela dobrou para 40%.

A maioria dos americanos nao quer Jesus na política, mas Rick Perry participa de monumentais manifestações religiosas e reza pedindo chuva. Barak Obama reza por ele e pelo Tea Party.

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