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Crânio de 33 mil anos seria de cão primitivo domesticado, diz estudo

Atualizado em  4 de agosto, 2011 - 15:13 (Brasília) 18:13 GMT
Crânio de 33 mil anos. Foto: Ovodov/Plos One

Restos trazem evidências de uma das formas mais primitivas de domesticação (Foto: Ovodov/Plos One)

O crânio de um canino, de 33 mil anos, encontrado bem-preservado em uma caverna em uma região montanhosa da Sibéria (Rússia), traz evidências de uma das formas mais primitivas de domesticação já encontradas, segundo aponta um estudo.

Os restos da espécie, encontrada nas montanhas Altai, no entanto, levantam dúvidas sobre a lealdade do homem primitivo em relação a seu "melhor amigo" à medida em que as condições de vida ficaram mais duras.

A descoberta foi realizada por uma equipe internacional de arqueólogos, liderada por cientistas russos. O estudo foi publicado na revista Plos One.

O crânio, que pertence a um período pouco anterior ao apogeu da última era glacial, é diferente daqueles dos cães e lobos de hoje em dia.

Lobos selvagens

Embora os restos sejam similares em tamanho aos cães da Groenlândia de mil anos atrás, que foram totalmente domesticados, os grandes dentes se assemelham aos dos lobos europeus selvagens de 31 mil anos atrás.

Isto é indício de um cão em seus primeiros estágios de domesticação, segundo afirma a bióloga evolucionária Susan Crockford, uma das autoras do estudo.

"Os lobos não foram domesticados deliberadamente, o processo de transformar um lobo em um cão foi natural", afirma a cientista, que trabalha no instituto Pacific Identifications, no Canadá.

Para que isto ocorresse, segundo ela, era necessária a existência de populações humanas primitivas e sedentárias. "Nessa época, as pessoas estavam caçando animais em grande escala e deixando grandes pilhas de ossos para trás, e isso estava atraindo os lobos", diz.

Características juvenis

O mais curioso é que os lobos menos temerosos tendiam a ter características mais juvenis, com focinhos mais curtos e largos e dentes mais numerosos, traços que, ao passar das gerações, acabaram definindo o cão domesticado.

Esses cães primitivos teriam sido úteis às pessoas para a limpeza de sobras e para afastar predadores como ursos, mas depois da era glacial, nos últimos 10 mil anos, eles tornaram-se integrantes fundamentais da "equipe", segundo afirma o arqueólogo da Universidade de Oxford Thomas Higham, co-autor da pesquisa.

"Quanto você tem cães de caça, de repente isto é algo que muda a situação. Caçadores com cães são muito melhores que caçadores sós", disse ele à BBC.

De maneira intrigante, no entanto, este cão siberiano bastante primitivo parece ter atingido um "beco sem saída" evolucionário. Enquanto as pessoas continuaram ocupando as montanhas Altai durante os períodos mais duros da última era glacial, elas parecem tê-lo feitos sem os seus cães, talvez quando a comida tornou-se escassa.

"O que a era glacial fez foi fazer com que as pessoas se movessem mais", disse Crockford. Com isto, segundo ela, o processo de domesticação foi suspenso, colocando os lobos e os humanos de volta a uma competição por cerca de 20 mil anos.

Por sua vez, o samoieda - o cão moderno mais próximo da espécie primitiva, criado para pastorear e guardar renas - parece ter retomado o caminho deixado por seu predecessor.

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