Relatório sobre voo AF 447 'decepciona' familiares de vítimas

Atualizado em  29 de julho, 2011 - 14:30 (Brasília) 17:30 GMT
Imprensa aguarda entrevista coletiva em frente à BEA (Reuters)

Parentes criticam autoridades francesas por destaque dado aos erros da tripulação

Os familiares das vítimas do voo AF 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009, se dizem decepcionados com o rumo das investigações e criticam o relatório das autoridades francesas, divulgado nesta sexta-feira, por dar destaque aos erros dos pilotos na catástrofe que matou 228 pessoas.

"Estamos decepcionados e chocados pela falta de informação sobre as falhas nas sondas de velocidade do avião, que é o ponto de partida do acidente", disse o diretor da associação francesa Ajuda Mútua e Solidariedade AF 447, Robert Soulas, que esteve presente na apresentação do relatório.

"Não tivemos elementos novos nesse novo documento. Nós não compreendemos como depois das primeiras análises dos dados é possível acusar os pilotos tão rapidamente. Isso mostra o peso político do caso", diz Soulas.

Para os familiares das vítimas, o fato de o Estado francês ter participação na Air France e na Airbus poderia limitar a transparência das investigações.

Neste terceiro relatório intermediário sobre o acidente, os investigadores do Escritório de Investigações e Análises da França (BEA, sigla em francês) explicaram as circunstâncias exatas dos últimos minutos do voo e apontaram erros cometidos pelos pilotos.

Segundo o BEA, a situação poderia ter sido revertida após o congelamento das sondas de velocidade (conhecidas como tubos pitot), que levaram ao desligamento do piloto automático.

"O acidente poderia ter sido evitado se os pilotos tivessem tomado as medidas adequadas. O mais difícil será entender as ações dos pilotos", diz Jean-Paul Troadec, diretor do BEA.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Relatório diz que pilotos do AF 447 cometeram uma série de erros

'Desconfiança'

AFP

Desastre no Oceano Atlântico deixou 228 mortos em maio de 2009 (Foto: AFP)

A associação alemã de familiares das vítimas HIOP expressou "desconfiança sobre os objetivos das investigações na elucidação da catástrofe".

"Percebemos que a opinião pública vem sendo preparada para aceitar que as falhas dos pilotos causaram o acidente", diz Barbara Crolow, da HIOP.

Segundo Crolow, os investigadores não estariam interessados nas causas reais do acidente. “O BEA não torna os dados públicos por razões econômicas, que interessam a Airbus”, diz.

"Até o dia de hoje, foram negadas aos parentes das vítimas informações consistentes já disponíveis de meados de maio (quando as caixas-pretas foram trazidas à França)", diz a representante das famílias alemãs.

"No segundo relatório (divulgado em dezembro de 2009), os aspectos técnicos do acidente estavam mais presentes. Agora os investigadores estão desviando a questão do problema técnico para um problema humano", disse à BBC Brasil Danielle Lévy, da associação francesa.

Ela se diz "chocada" com o fato de que a Airbus estaria "descarregando sobre os pilotos a responsabilidade do problema dos sensores de velocidade do avião".

O BEA informou nesta sexta-feira que irá criar um grupo de especialistas que irão analisar as ações dos pilotos para tentar descobrir as razões dos procedimentos de voo adotados.

O AF 447, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris, caiu no Oceano Atlântico no dia 31 de maio de 2009, matando todas as 228 pessoas a bordo.

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