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Abuso de droga para cavalo faz britânico perder bexiga

Atualizado em  21 de julho, 2011 - 07:04 (Brasília) 10:04 GMT
Christopher Francis

Christopher Francis cumpre pena de prisão em regime semi-aberto por tráfico

Uma grande cicatriz que passa pelo meio da barriga do britânico Christopher Francis, de 22 anos, é uma lembrança permanente que ele carrega sobre as consequências do abuso no uso de drogas.

O consumo constante de ketamina, droga comumente usada como tranquilizante para cavalos, levou Francis a desenvolver uma grave infecção que o obrigou a ter a bexiga retirada e substituída por um órgão artificial.

O jovem, que cumpre hoje uma pena de prisão em regime semi-aberto por tráfico de drogas, dá palestras em escolas para alertar sobre os perigos das drogas e mostrar que eles vão além da ameaça da cadeia.

“As pessoas não têm ideia do efeito que isso (o consumo de ketamina) tem. Ela rapidamente estraga sua saúde”, afirma ele em entrevista à BBC.

Special K

A ketamina é um poderoso anestésico geral, que deprime o sistema nervoso central e provoca uma temporária perda de sensação no corpo. Também tem fortes efeitos alucinógenos.

A droga é popularmente conhecida como Special K, Super K ou Vitamina K.

Um relatório divulgado nesta quinta-feira por uma comissão científica independente sobre drogas na Grã-Bretanha indica que a ketamina já é a quarta droga ilegal de uso mais popular no país.

Apesar disso, a substância ainda é classificada como droga leve pela legislação do país, no mesmo nível que outros tranquilizantes e anabolizantes e considerada menos danosa que drogas como maconha, ecstasy ou cocaína.

Tolerância

Christopher Francis mostra cicatriz na barriga

Cicatriz de Francis é lembrança permanente das consequências do uso da ketamina

Christopher Francis conta que começou a consumir a ketamina “cheirando umas poucas linhas” e que rapidamente foi aumentando a quantidade consumida, conforme sua tolerância à droga ia aumentando.

Com o tempo, ele foi sentindo os efeitos do consumo da ketamina sobre sua saúde. “Começou com câimbras no estômago e dificuldade para urinar” conta.

“Aí eu cheirava mais para tentar me livrar das dores, mas essa era a razão pela qual estavam ali originalmente”, diz.

Com o tempo, ele conta que passou a urinar sangue e pus. “Ficava na cama me contorcendo de dor e não tinha nada que pudesse fazer. A única maneira de fazer a dor passar era cheirando mais”, diz.

Bolsa de urina

O consumo da droga provocou a corrosão da cartilagem de seu nariz, mas essa não foi a pior consequência da ketamina, para Francis. Os danos provocados pela droga em seu sistema urinário foi tamanho que ele teve que ter sua bexiga retirada.

Por quase um ano, entre os 18 e os 19 anos, ele teve sua urina coletada em uma bolsa ligada ao corpo. “Não é a melhor das coisas para um garoto dessa idade, que está tentando conquistar as garotas, ter uma bolsa de urina entre suas pernas”, observa.

Ele comenta que o problema lhe causou várias situações de constrangimento, especialmente quando a bolsa vazava. “Em algumas situações me vi num grupo de 5 ou 6 amigos e de repente tinha minhas calças molhadas. Não é uma situação muito legal, é constrangedor”, diz.

Para Francis, as autoridades precisam começar a agir para conter o aumento no consumo de ketamina.

Mortes

Pesquisadores dizem que não foram realizados muitos estudos sobre os efeitos da ketamina sobre a saúde, porque seu uso como droga recreativa é um fenômeno recente.

“Não sabemos quais os efeitos de longo prazo, porque somente começamos a pesquisar isso nos últimos anos”, afirma o médico Dan Wood, professor da University College London.

Além dos problemas na bexiga, relatados por muitos dos usuários da droga, Wood afirma que também são registrados com frequência problemas renais e no fígado. “O que ainda não sabemos é se esses danos são reversíveis”, diz.

As autoridades britânicas também alertam para um crescente número de mortes ligadas ao consumo de ketamina – em sua maioria, provocadas por acidentes.

No início do ano, Louise Cattell, de 21 anos, morreu afogada em uma banheira após consumir a droga.

A morte de Cattell levou sua mãe, Vicky Unwin, a promover campanhas para alertar sobre os perigos do consumo de ketamina.

“Alguns dos melhores amigos da Louise ainda usam ketamina”, diz Vicky. “Eu fico pasma com isso, porque eles a amavam e viram como ela morreu”, afirma.

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