
País enfrenta a pior seca em mais de 50 anos
A organização de direito humanos Anistia Internacional denunciou a prática de recrutamento generalizado e sistemático de crianças na luta armada na Somália.
Um relatório divulgado nesta terça-feira mostra que tanto os grupos islâmicos como também o governo transitório estão usando meninos soldados - alguns com apenas oito anos - nos conflitos em curso no país.
De acordo com a ONG, o Al-Shabab, grupo militante islâmico que é afiliado à Al-Qaeda, atrai crianças com promessas de pagamento em dinheiro e celulares, mas também sequestra muitos dos meninos usados na luta.
Alguns dos garoto são usados na linha de batalha, enquanto outros trabalham para garantir que meninas e mulheres sigam as rígidas regras islâmicas do grupo, especialmente no que diz respeito ao vestuário.
Situação extrema
No mesmo dia, a ONU afirmou que vai declarar que a fome em algumas partes da Somália chegou em seu estado mais crítico, com escassez crônica de água e alimentos. O país enfrenta sua pior seca em mais de meio século.
Segundo a ONU, a situação no país se agravou rapidamente, apesar dos esforços humanitários.
É a primeira vez em 19 anos que essa situação é enfrentada por países da região. De acordo com as Nações Unidas, esse quadro é caracterizado por um cenário em que 30% das crianças estão mal nutridas e há um índice de quatro mortes diárias a cada 10 mil crianças.
Veto
Tanto a ONU como o governo americano vinham afirmando que as agências humanitárias precisam de mais garantias dos grupos armados para que possam atuar no país.
O Al-Shabab, que controla boa parte do país, impôs em 2009 um veto a agências internacionais em seus territórios, mas recentemente recuou da decisão e permitiu o acesso a algumas áreas.
Cerca de 10 milhões de pessoas foram e estão sendo afetadas no leste da África pela seca. Milhares de somalis vêm tentando fugir do país para os vizinhos Quênia e Etiópia.



















