Obama pede a congressistas plano sobre dívida nas 'próximas horas'

Atualizado em  15 de julho, 2011 - 17:46 (Brasília) 20:46 GMT
Obama/Getty Images

Se teto da dívida não for elevado, EUA podem não cumprir seus compromissos financeiros

Depois de uma semana inteira de negociações diárias sem resultados concretos, o presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que os congressistas precisam apresentar uma proposta sobre a dívida do país nas próximas "24 horas".

"Obviamente, nosso prazo está se esgotando", afirmou Obama, em entrevista coletiva na Casa Branca.

"Então, o que eu disse aos membros do Congresso foi: 'Vocês precisam, nas próximas 24 ou 36 horas, me dar alguma ideia de qual é o seu plano para elevar o teto da dívida'", disse o presidente.

Os Estados Unidos atingiram seu limite legal de endividamento público, de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,5 trilhões), em 16 de maio.

Na ocasião, o governo anunciou medidas temporárias para impedir que a dívida ultrapasse esse limite. Mesmo com essas medidas, porém, os Estados Unidos vão ultrapassar o teto a partir de 2 de agosto.

Segundo o governo, caso o Congresso não autorize a elevação do teto da dívida até essa data, o país irá, pela primeira vez, deixar de cumprir seus compromissos financeiros, o que poderá ter impactos negativos não apenas na economia doméstica, mas também nos mercados financeiros globais.

Longo prazo

Obama voltou a manifestar sua rejeição a soluções de curto prazo e disse que está preparado para tomar "decisões difíceis" caso a oposição republicana apresente "um plano sério".

"Durante as discussões com líderes do Congresso, o que eu tentei enfatizar é que nós temos uma oportunidade única de fazermos algo grandioso. Nós temos a chance de estabilizar as finanças dos Estados Unidos por uma década, por 15 ou 20 anos, se estivermos dispostos a aproveitar este momento", disse Obama.

O Partido Republicano, que controla a Câmara dos Representantes (deputados federais), condiciona o aumento do teto da dívida a um pacote de corte de gastos para combater o deficit orçamentário do país, calculado em US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 2,2 trilhões) no ano fiscal que termina em setembro.

Democratas e republicanos concordam sobre a necessidade de cortar gastos, mas não chegam a um acordo sobre o tamanho dos cortes ou os programas a serem afetados.

Obama vem pressionando para acabar com cortes de impostos em vigor desde o governo anterior, que beneficiam a camada mais rica da população. Os republicanos, no entanto, já avisaram que não vão aprovar nenhuma proposta que inclua aumento de impostos.

Líderes republicanos da Câmara afirmaram que querem levar a votação uma proposta de aumentar o teto da dívida em troca de cortes de US$ 2,4 trilhões (cerca de R$ 3,8 trilhões) nos gastos em dez anos. O presidente, porém, disse que não vê "um plano sério".

"Eu não vi ainda um plano digno de confiança, ao rever os números, que nos permita cortar US$ 2,4 trilhões sem realmente afetar o cidadão comum", disse.

Segundo Obama, o fracasso em chegar a um acordo poderá resultar em aumentos das taxas de juros, afetando toda a população.

O impasse já levou a duas das principais agências de classificação de risco, a Moody´s e a Standard & Poor´s, a alertarem sobre a possibilidade de rebaixamento da nota dada aos Estados Unidos – atualmente a mais alta, "AAA".

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