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‘Obrigado e adeus’, dirá última edição de tabloide envolvido em escândalo

Atualizado em  10 de julho, 2011 - 10:36 (Brasília) 13:36 GMT
Edição final do 'News of the World' sendo examinada na gráfica, neste sábado (Getty)

Expectativa é de que jornal (visto acima em produção na gráfica) terá recorde de vendagens

A última edição do tabloide News of World chegou às lojas britânicas neste domingo com uma capa que diz apenas “Obrigado e adeus”.

O jornal, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, com 2,6 milhões de exemplares, deixará de circular após 168 anos, em meio a um escândalo de grampos ilegais que está causando comoção no país.

Acredita-se que a edição final bata recordes de vendas: a tiragem deste domingo é de quase 5 milhões de cópias neste domingo.

O jornal é acusado de ter interceptado milhares de ligações telefônicas de celebridades, políticos, soldados britânicos e pessoas de interesse mídiático, como crianças desaparecidas.

O escândalo veio à tona pela primeira vez em 2006, mas ganhou proporção nos últimos dias, com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o tabloide teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002.

A manipulação das mensagens, ainda em 2002, fez a polícia e a família da adolescente de 13 anos acreditarem que ela ainda estaria viva, já que sua caixa postal continuava em atividade. O corpo foi encontrado depois.

Logo após a revelação do caso, os jornais britânicos noticiaram que, em busca de histórias exclusivas, o News of the World teria feito escuta nos celulares de parentes de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, em Londres, e de familiares de soldados britânicos mortos no Afeganistão e no Iraque.

O escândalo fez com que Rupert Murdoch, dono do conglomerado que publica o News of the World, anunciasse o fechamento do jornal. O magnata deve chegar a Londres neste fim de semana, para lidar com os desdobramentos da crise.

Ex-editor

Outro desdobramento foi a prisão, na última sexta-feira, do ex-porta-voz do primeiro-ministro britânico e ex-editor do jornal britânico News of the World, Andy Coulson.

Coulson é suspeito de ter avalizado as escutas telefônicas realizadas por repórteres do jornal e por detetives a serviço do News of The World.

O jornalista foi libertado ainda nesta sexta-feira, sob fiança, após nove horas de interrogatório, em que negou ter conhecimento dos grampos.

Milly Dowler (PA)

Escândalo ganhou força com denúncia que detetive teria invadido telefone de jovem Milly Dowlder

Coulson editou o tabloide entre 2003 e 2007 e renunciou ao comando da publicação no mesmo ano, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica.

No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz de David Cameron, após terem surgido novas denúncias de várias outras invasões de telefones de políticos e celebridades envolvendo jornalistas do News of The World.

Em discurso na sexta-feira, o premiê britânico, David Cameron, chamou para si a responsabilidade pela contratação de Coulson.

"Havia decidido lhe dar uma segunda chance, mas não funcionou. A decisão de contratá-lo foi exclusivamente minha", declarou o premiê, que também criticou os políticos por "fazer vista grossa" a más práticas jornalísticas. Ele já havia pedido uma investigação sobre o escândalo de grampos.

Demissões

O News of The World conta com uma equipe de cerca de 200 profissionais, que provavelmente perderão seus empregos.

Na noite deste sábado, todos saíram juntos do prédio do jornal - cada um carregando uma cópia da edição final - ao encontro da imprensa. O editor do periódico, Colin Myler, fez um "tributo a essa equipe maravilhosa", em referência a seus funcionários.

O Sindicato dos Jornalistas Britânicos protestou contra o fechamento do jornal, afirmando que a medida é de um ''oportunismo cínico'' e que prejudica somente jornalistas profissionais e free lancers, poupando os altos executivos do conglomerado responsável pelo tabloide.

Rebekah Brooks e Rupert Murdoch, em foto de 2010

Rebekah Brooks conta com apoio do magnata Murdoch

De acordo com o sindicato, quem deveria ser demitida é Rebekah Brookes, executiva-sênior do grupo News International, o braço de jornais britânicos da News Corp, e ex-editora do News of The World entre 2000 e 2003.

A executiva conta com a confiança de Rupert Murdoch, que já disse que pretende mantê-la no cargo.

Além de controlar alguns dos principais jornais do país, Murdoch também negocia a compra da subsidiária britânica da operadora de TV a cabo Sky. O magnata teme que o escândalo possa atrapalhar seus planos.

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