Israel prende 124 ativistas pró-palestinos dos EUA e da Europa

Atualizado em  9 de julho, 2011 - 12:29 (Brasília) 15:29 GMT
Policiais israelenses foram convocados para o Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, Israel,  antes da chegada de ativistas europeus (Getty Images)

Ativistas foram incluídos em 'lista negra' entregue a companhias aéreas

A policia de Israel prendeu 124 ativistas europeus e americanos, que desembarcaram no aeroporto internacional do país, com o objetivo de viajar à Cisjordânia para participar de atos de solidariedade com os palestinos.

Os ativistas – 76 mulheres e 38 homens – da França, Holanda, Espanha, EUA, Bélgica e Bulgária, foram detidos imediatamente após desembarcarem no Aeroporto Ben Gurion e, depois de serem interrogados, foram transferidos para diversas prisões onde deverão aguardar a deportação.

De acordo com os ativistas seu plano original era participar de um programa chamado "Bem-vindos à Palestina", organizado por grupos europeus e palestinos.

Entre os participantes, o principal é o Movimento de Solidariedade Internacional, fundado há dez anos, que costuma enviar ativistas para a Cisjordânia, para participar de diversos tipos de atividades, inclusive manifestações contra a ocupação israelense e de auxilio a agricultores palestinos na colheita anual de azeitonas.

O ministro da Segurança Interna de Israel, Itzhak Aharonovitz, utilizou o termo ''hooligans'', que significa arruaceiros em inglês e é normalmente relacionado a atos de vandalismo cometidos por torcedores de futebol, para qualificar os ativistas.

'Lista negra'

Além dos ativistas detidos em Israel, cerca de 200 participantes foram barrados em diversos aeroportos europeus, pelas próprias companhias aéreas, depois que receberam uma "lista negra" de Israel.

As autoridades israelenses informaram as companhias aéreas que não permitiriam a entrada dos passageiros listados e que as empresas teriam que arcar com as despesas de deportação.

De acordo com o primeiro ministro israelense, Binyamin Netanyahu, os ativistas poderiam "perturbar a ordem pública".

A representante da Autoridade Palestina junto à União Europeia, Laila Shahid, condenou os países europeus e as companhias aéreas, que, segundo ela , "obedeceram a decisão de Israel de colocar cidadãos europeus em listas negras".

"Ninguém sabe em que se baseiam essas listas, nem que crimes essas pessoas cometeram, exceto tentar manifestar solidariedade", afirmou a representante palestina.

O site israelense Ynet cita um porta-voz da policia alemã dizendo que "se um passageiro tem um passaporte válido e uma passagem, não há base para impedi-lo de embarcar".

No entanto, o porta-voz da Swiss Air, companhia aérea suíça, afirmou que segundo o regulamento da Organização Internacional de Aviação Civil "se um país informa a companhia aérea que a entrada de um indivíduo será barrada, essa pessoa não terá permissão para embarcar".

Ativistas que foram barrados na Europa anunciaram que pretendem processar as companhias aéreas e denunciaram o que chamaram de "cumplicidade" das empresas com Israel.

Segundo o jornal Haaretz, companhias aéreas que deverão transportar os ativistas presos em Israel disseram que não será fácil encontrar lugar nos aviões para eles, pois esta época do ano é de alta estação e todos os voos para a Europa estão lotados.

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